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24/11/2007 às 13:50
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Laurentino Gomes lança livro-reportagem sobre a história do Brasil

Tatiane Freitas


A maioria dos brasileiros que se debruçaram sobre livros de história na adolescência dificilmente conseguiu avaliar o quanto a fuga da corte portuguesa para cá, em novembro de 1808, guarda de inédito, na história do mundo, e de definitivo, para as do Brasil e de Portugal.

Nem mesmo o jornalista Laurentino Gomes, autor do livro 1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil – que tem lançamento hoje, às 16 horas, na Livraria Saraiva –, imaginava que tal passagem histórica poderia se mostrar tão definitiva e renderia uma expedição literária tão instigante e cheia de importantes revelações, quando decidiu mergulhar na profundidade do tema dez anos atrás.

O fato é que o livro dele consegue contar, com detalhes, o desenrolar dos fatos que levaram um soberano europeu a abandonar seu país e ir morar – e governar – em um território colonizado, numa passagem histórica sem precedentes. E mais: faz isso de uma forma atraente, a ponto de conquistar milhares de leitores e se transformar num best seller brasileiro em 2007, permanecendo na lista dos dez mais vendidos nas últimas nove semanas.

DIÁRIOS DE BORDO – Uma das descobertas do autor, por exemplo, traz uma versão inédita e talvez definitiva para os motivos que fizeram D. João VI chegar a Salvador, ao fim da longa viagem ao Brasil, em vez de se dirigir ao Rio de Janeiro, conforme planos iniciais da viagem.

Tendo em mãos a transcrição integral dos diários de bordo dos navios britânicos, que acompanharam a corte até aqui, feita pelo historiador Kenneth Light, em 1995, Laurentino chegou à conclusão de que a vinda para Salvador, que havia sido a primeira capital da colônia, não teve nada a ver com mudanças de rotas emergenciais por causa de tempestades em alto-mar, mas com uma estratégia política do príncipe e seus assessores para angariar apoio financeiro e político para a Coroa Portuguesa no Brasil.

“Os transcritos da Marinha Britânica, que era muito organizada e fazia registros da viagem de hora em hora, deixam bem claro que a ida a Salvador foi uma atitude premeditada por D. João VI. E eu considero essa a versão mais próxima da verdade”, disse Laurentino em entrevista por telefone.

TEXTO FÁCIL – 1808 também pode ser considerado um livro-reportagem de primeiro escalão por extrapolar os fatos que aconteceram em terras lusitanas e brasileiras – com informações preciosas sobre Napoleão Bonaparte e os embates que resultaram no fim das monarquias européias – e contar tudo com um texto jornalístico acessível, prazeroso, bem-humorado e bem distante da rebuscada linguagem acadêmica, a ponto de ser considerado o primeiro com uma linguagem tão acessível sobre o ano de 1808 e seus desdobramentos.

Uma demonstração do esforço de aproximar o leitor dos fatos e fazê-lo enveredar pela leitura está no capítulo Fuga. Laurentino leva os leitores a sentirem na pele o que foi para os portugueses a fuga de toda a corte para a colônia além-mar. “Imagine que, um dia qualquer, os brasileiros acordassem com a notícia de que o presidente da República havia fugido para a Austrália, sob a proteção da Força Aérea dos Estados Unidos... Com ele, teriam partido todos os ministros... E, a esta altura, tropas da Argentina já estivessem marchando sobre Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a caminho de Brasília....”

TEMA POLÊMICO – Segundo o jornalista, o tema despertou o fascínio nele por gerar polêmica mesmo 200 anos depois. Isso tem a ver, na sua avaliação, com o contexto em que se deu a partida de D. João VI para o Brasil, diante das ameaças de invasão feitas por Napoleão Bonaparte.

“Trata-se de um período muito decisivo, quando se discutia monarquia x república, colonização x independência, escravidão x abolição e, por isso, gerou relatos contaminados”, justifica o autor.

Um exemplo clássico disso, segundo ele, é a forma caricata como D. João VI e sua corte costumam ser tratados nos livros portugueses. “O povo português se ressente muito de ter sido abandonado por D. João VI, de forma que a figura dele lá é desenhada como um rei bobalhão e solitário. Já os registros brasileiros trazem uma imagem mais simpática do rei, com registros de que ele gostava muito daqui, conversava com as pessoas na rua, e de que até chorou no dia de partir. Já estava mais do que na hora de se conseguir chegar a uma versão mais isenta dos fatos”, diz Laurentino.

O AUTOR – Laurentino Gomes nasceu no Paraná, em Maringá, formou-se em jornalismo, na Universidade Federal do Paraná, e tem 51 anos, 30 deles de atividade profissional como repórter e editor para alguns dos principais veículos de comunicação do Brasil, incluindo o jornal O Estado de São Paulo e a revista Veja. Atualmente, dirige uma unidade da Editora Abril responsável pela publicação de 23 revistas segmentadas. Livros de história sempre foram uma paixão de Laurentino.

Lançamento com bate-papo e sessão de autógrafos do livro 1808 | Hoje, 16h | Saraiva Mega Estore (71 3341-7020) | Shopping Salvador - Av. Tancredo Neves, s/n°
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