>>Diminui a influência de Wagner e Lula
Se a eleição fosse hoje, o deputado federal ACM Neto (DEM), candidato a prefeito de Salvador, seria o mais votado no primeiro turno do pleito com 31% dos votos. Mas em uma nova disputa, apenas com o segundo colocado Antonio Imbassahy, haveria empate. Os dados são da nova pesquisa A TARDE/Vox Populi. Ela mostra um crescimento do candidato democrata de cinco pontos percentuais em relação aos números divulgados em 20 de julho e uma diferença de seis pontos em relação ao segundo colocado. Dos cinco candidatos, ACM Neto foi o único que registrou uma variação acima da margem de erro, que é de quatro pontos percentuais.
Antônio Imbassahy (PSDB), ex-prefeito da capital, cresceu de 24% para 25%; o prefeito João Henrique (PMDB), candidato à reeleição, caiu de 18% para 16%; o deputado federal Walter Pinheiro (PT) cresceu de 8% para 10%; e Hilton Coelho, do Psol, manteve-se na marca de apenas 1%. Ainda na pesquisa estimulada, que revela ao entrevistado os nomes dos candidatos, o número de votos em branco, nulo ou em ninguém diminuiu de 15% para 11%, e o de indecisos de 8% para 7%.
Pela primeira vez o estudo A TARDE/Vox Populi mediu as intenções de voto para segundo turno. Em três simulações contra prefeituráveis da base do governo Jaques Wagner (PT), o deputado federal ACM Neto só não venceria para o ex-prefeito Antônio Imbassahy. Neste cenário, os dois empatariam com 39% das intenções de voto. Em um embate no segundo turno com João Henrique, que pontuou 26%, ACM Neto ganharia com 49% . Já se o seu adversário fosse Walter Pinheiro, Neto teria 55% dos votos contra 20% do petista.
Tanto na disputa com João Henrique quanto com Walter Pinheiro, Imbassahy sairia vencedor em um possível segundo turno. O tucano obteve 52% da preferência de voto na simulação com o peemedebista (escolhido por 28% dos eleitores); e 58% contra 19% de Pinheiro. Quanto a um segundo turno entre os dois candidatos que disputam judicialmente o uso da imagem do presidente Lula no pleito, João Henrique (com 32%) sairia vencedor contra Pinheiro (27%).
Voto consolidado– Na pesquisa espontânea – aquela em que o eleitor é perguntado em quem ele votaria sem que lhe sejam oferecidos os nomes dos candidatos –, todos os candidatos apresentaram uma tendência de crescimento dentro da margem de erro, exceto Hilton Coelho, que não pontuou. O deputado federal ACM Neto fica na frente, passando de 15% para 19%. Imbassahy cresceu de 11% para 15%; João Henrique, de 8% para 10%; e Walter Pinheiro, de 3% para 5%. O ex-candidato Raimundo Varela (PRB), radialista que desistiu da candidatura para apoiar ACM Neto, manteve pontuação de 1%. A pesquisa espontânea, que representa a tendência de voto consolidado, mostrou um crescimento na definição do cenário eleitoral, com a diminuição do número de pessoas que declaram votar em ninguém, branco ou nulo (de 18% para 13%) e do de indecisos, que apesar de alto ainda, variou para menos, de 41% para 36%.
Segundo a analista de pesquisa do Vox Populi, Patrícia Amorim, a redução do número de indecisos e de votos brancos e nulos impede aferir quem cresceu sobre quem, a partir da análise da variação dos índices apresentados pelo candidatos.
A posição de ACM Neto na pesquisa reflete que o candidato democrata atingiu a marca dos 30% de votos, média histórica obtida por integrantes do chamado grupo carlista em Salvador. Demonstra, também, que a pulverização da base do governador, dividida em três candidaturas – no cenário atual, a nove dias do início do horário eleitoral em rádio e TV – dificulta uma vitória, no primeiro turno, ao Thomé de Souza contra o grupo carlista, derrotado em 2006 e que, desde então, viveu acentuada perda de forças. A partir dos dados, quem oferece, neste momento, maior perigo ao democrata é um candidato originário do próprio ninho carlista, o tucano Imbassahy, que integrou o antigo PFL (atual DEM), e é oposição ao presidente Lula da Silva.
O cientista político Paulo Fábio Dantas ressalta que, nestas eleições, todas as forças representativas da política baiana estão no páreo. “Estamos ainda no início da campanha. A única certeza é o segundo turno, pois temos quatro candidaturas competitivas”, enfatizou.
Rejeição – O índice de rejeição dos candidatos manteve-se estabilizado. João Henrique continua na frente com a maior taxa, 36%, a mesma que obteve na pesquisa anterior. O segundo com maior índice de rejeição é ACM Neto, que ficou na mesma faixa dos 18%. Depois vêm os dois que apresentaram a maior variação no indicativo – Hilton Coelho (de 7% para 11%) e Walter Pinheiro (de 6% para 9%). Antônio Imbassahy apresentou a menor rejeição (8%), mas empata tecnicamente com Pinheiro e Hilton por conta da margem de erro de quatro pontos percentuais. O crescimento maior nas rejeições de Hilton e Pinheiro, por outro lado, indica também um aumento de conhecimento sobre os dois candidatos, que são os mais desconhecidos no eleitorado.