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Cinco anos, quatro meses e 13 dias depois de assumir o cargo de ministra do Meio Ambiente, a senadora Marina Silva (PT-AC) cumpriu a promessa de que perderia a cabeça “mas não o juízo”. Numa carta enviada nesta terça-feira, 13, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela pediu demissão do cargo. Nesse caso, perder o juízo seria continuar no governo tendo de conviver com o ministro de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, como coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS).
Com a ministra, saem também dois auxiliares de sua absoluta confiança: Basileu Margarido, que acumula as funções de chefe de gabinete de Marina e presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Meio Ambiente e presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. O desfalque para o Planalto é ainda maior, embora incomensurável. A saída de Marina abala a imagem do Brasil no exterior. A ex-ministra era uma espécie de porta-estandarte da defesa do meio ambiente no Brasil e candidata a ganhar o prêmio Nobel da Paz.
Desgastes – A desmontagem da equipe do Meio Ambiente foi negociada. Basileu reuniu-se durante toda a tarde e noite desta terça com a ministra. Disse que ajudará na transição, visto que a saída é de todo um grupo e não somente da ministra. Oficialmente, a assessoria de Marina Silva informou que o afastamento dela ocorreu por causa de uma série de desgastes gerados por ações do governo com as quais não concordava e uma seqüência de insatisfações com as atitudes do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas aquilo que pode ser qualificado de “ gota d'água” foi, de fato, a escolha de Mangabeira Unger para a chefia do conselho gestor do Plano Amazônia Sustentável, embora a ministra tenha orientado todos os assessores a negar essa versão, por não querer se envolver numa discussão sem fim com seu desafeto. Por se julgar a pessoa que mais entende de Amazônia dentro do governo – ela nasceu no Acre, lá cresceu, tornou-se vereadora, deputada federal e senadora –, Marina sentiu-se desprestigiada pelo presidente Lula por não ser a responsável pelas ações que teriam como prioridade garantir a proteção ambiental da região. No fim de semana, reunida com assessores e aliados na sua casa, comunicou que deixaria o cargo e voltaria ao Senado. Sua promessa de que preferia perder a cabeça mas não o juízo foi relembrada. Na solenidade de lançamento do plano, o presidente Lula chegou a fazer um comentário pró-Marina, dizendo que ela seria a “mãe do PAS”, numa referência ao fato de a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ter sido chamada por ele de “mãe do PAC (Programa de Aceleração de Crescimento).
Em vez de agradar a ministra, o comentário de Lula a irritou muito. Segundo um amigo da ministra, a reação dela foi do tipo “eu sou a mãe do PAS, mas quem vai criar o filho é outra pessoa”. O PAS era visto como uma ação estratégica dentro do ministério, já que existe a informação de que dados preliminares apontam o crescimento acentuado do desmatamento na Amazônia.
Com a ação antecipada de lançamento do plano, o ministério esperava atenuar as críticas que seriam feitas à política ambiental do governo. E justamente por conta da questão do controle do desmatamento Marina já vinha esgarçando sua relação dentro do governo. A ministra ficou aborrecida com críticas abertas à sua gestão, feitas pelo governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), durante uma recente reunião de governadores e integrantes do governo com o presidente Lula.