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13/05/2008 às 23:44
  | ATUALIZADA EM: 13/05/2008 às 23:54 | COMENTÁRIOS (14)

Cai ministra do Meio Ambiente

João Domingos e Marcelo de Moraes, da Agência Estado

Marcello Casal Jr. / Agência Brasil
Divergências motivaram saída da ministra
Divergências motivaram saída da ministra

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Cinco anos, quatro meses e 13 dias depois de assumir  o cargo de ministra do Meio Ambiente, a senadora Marina Silva (PT-AC) cumpriu  a promessa de que perderia a cabeça “mas não o juízo”. Numa carta enviada nesta terça-feira, 13, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela pediu demissão do cargo. Nesse  caso, perder o juízo seria continuar no governo tendo de conviver com o ministro  de Assuntos Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, como coordenador do Plano  Amazônia Sustentável (PAS).

Com a ministra, saem também dois auxiliares de sua absoluta confiança: Basileu  Margarido, que acumula as funções de chefe de gabinete de Marina e presidente  do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis  (Ibama), e João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Meio Ambiente e presidente  do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade. O desfalque para o Planalto é ainda maior, embora incomensurável. A saída de  Marina abala a imagem do Brasil no exterior. A ex-ministra era uma espécie de  porta-estandarte da defesa do meio ambiente no Brasil e candidata a ganhar o  prêmio Nobel da Paz.

Desgastes – A desmontagem da equipe do Meio Ambiente foi negociada. Basileu reuniu-se durante  toda a tarde e noite desta terça com a ministra. Disse que ajudará na transição,  visto que a saída é de todo um grupo e não somente da ministra.  Oficialmente, a assessoria de Marina Silva informou que o afastamento dela  ocorreu por causa de uma série de desgastes gerados por ações do governo com  as quais não concordava e uma seqüência de insatisfações com as atitudes do  próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas aquilo que pode ser qualificado  de “ gota d'água” foi, de fato, a escolha de Mangabeira Unger para a chefia  do conselho gestor do Plano Amazônia Sustentável, embora a ministra tenha orientado todos os assessores a negar essa versão, por não querer se envolver numa discussão  sem fim com seu desafeto.  Por se julgar a pessoa que mais entende de Amazônia dentro do governo –  ela  nasceu no Acre, lá cresceu, tornou-se vereadora, deputada federal e senadora –, Marina sentiu-se desprestigiada pelo presidente Lula por não ser a responsável  pelas ações que teriam como prioridade garantir a proteção ambiental da região.  No fim de semana, reunida com assessores e aliados na sua casa, comunicou que  deixaria o cargo e voltaria ao Senado. Sua promessa de que preferia perder a  cabeça mas não o juízo foi relembrada.  Na solenidade de lançamento do plano, o presidente Lula chegou a fazer um comentário  pró-Marina, dizendo que ela seria a “mãe do PAS”, numa referência ao fato de  a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ter sido chamada por ele de “mãe do  PAC (Programa de Aceleração de Crescimento).

Em vez de agradar a ministra, o  comentário de Lula a irritou muito. Segundo um amigo da ministra, a reação dela  foi do tipo “eu sou a mãe do PAS, mas quem vai criar o filho é outra pessoa”.  O PAS era visto como uma ação estratégica dentro do ministério, já que existe  a informação de que dados preliminares apontam o crescimento acentuado do desmatamento  na Amazônia.

Com a ação antecipada de lançamento do plano, o ministério esperava  atenuar as críticas que seriam feitas à política ambiental do governo.  E justamente por conta da questão do controle do desmatamento Marina já vinha  esgarçando sua relação dentro do governo. A ministra ficou aborrecida com críticas  abertas à sua gestão, feitas pelo governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR),  durante uma recente reunião de governadores e integrantes do governo com o presidente  Lula.

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