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29/11/2009 às 21:29
  | COMENTÁRIOS (21)

Bahia fere lei e usa nomes de pessoas vivas em ruas

Rita Conrado | A TARDE

João Alvarez | AG. A TARDE
Descumprimento da lei: Centro de referência em Salvador leva nome de ex-primeira dama
Descumprimento da lei: Centro de referência em Salvador leva nome de ex-primeira dama

Espaços públicos de Salvador  e de cidades do interior continuam a receber nomes de pessoas vivas no estado da Bahia. A prática, antiga, fere leis federal e estadual, mas não inibe vereadores e prefeitos de municípios baianos que conseguem burlar a lei e usar a homenagem em prol de interesses pessoais e políticos. Em Salvador, são encorajados pela ação tímida do Ministério Público estadual, que, alegando dificuldade no controle dessa demanda,  deixa de encaminhar denúncia à Justiça. Longe da capital, municípios são enquadrados pela instituição.

Em Salvador, não é difícil reconhecer como contemporâneas as personalidades que dão nome a ruas, praças, escolas e viadutos. Mesmo passada a fase mais crítica desse processo, quando um sem-número de logradouros públicos, em todo o estado da Bahia, foram batizados com o nome do ex-senador  Antônio Carlos Magalhães (DEM) e do seu filho Luís Eduardo Magalhães (DEM), hoje falecidos. A prática continua em voga. Em menor escala, figuras de destaque na história política e social do estado são homenageadas em vida.

O ex-governador Roberto Santos tem o seu nome em equipamentos tão modernos quanto viadutos e estádios de futebol. O viaduto Roberto Santos liga a Avenida Centenário ao Vale do Canela, no centro. Mas também segue denominando o  Estádio Roberto Santos, para quem não sabe, o reformado Estádio de Pituaçu. O Hospital Roberto Santos, no bairro do Cabula, também é a homenagem que o ex-governador teve o privilégio de receber,  em março de 1979.

Artistas  - A lei federal 6.454/77 e o artigo constitucional nº. 37 proíbem o uso de nomes de pessoas vivas em prédios e logradouros públicos que recebam recursos federais, estaduais ou municipais. O Art. 21 da  Constituição do Estado da Bahia  veda, no território do Estado, a utilização de nome, sobrenome ou cognome de pessoas vivas, nacionais ou estrangeiras, para denominar as cidades, localidades, artérias, logradouros, prédios e equipamentos públicos de qualquer natureza. Mas, na prática, a realidade é outra.

É fácil esbarrar e reconhecer, em Salvador, equipamentos e nomes que fazem parte do nosso cotidiano. Não são poupados bairros populares nem nobres. No Costa Azul, o monsenhor Gaspar Sadoc, da paróquia da Vitória, dá nome a uma rua. Na Avenida Paralela, a nome da  mãe do compositor Caetano Veloso, D. Canô, batiza um viaduto.

Na Avenida Luís Eduardo Magalhães – que fugiu à infração com o morte do ex-deputado –, a Avenida Gal Costa engrossa o rol de homenagens feitas, direta ou indiretamente, aos baianos do Tropicalismo. O próprio Caetano dá nome a ruas e travessas nos bairros de Canabrava, Fazenda Grande do Retiro e Itapuã.  Sadoc era o padre que sempre rezava as missas encomendadas por ACM. Gal Costa e D. Canô lhe prestaram solidariedade pública quando renunciou por causa da violação do painel eletrônico do Senado.

Mas a lista de homenageados em vida é extensa. Em Salvador, dela também fazem parte o ex-governador César Borges (PR), que dá nome a escolas públicas, e o ex-governador Paulo Souto (DEM), que nomeia ruas de Nova Brasília e Itapuã. A mulher do ex-governador democrata também é homenageada. Tem o nome dela o Centro de Atenção ao Adolescente Isabel  Souto, no Rio Vermelho. Já os ex-governadores Antônio Imbassahy (PSDB) e Lomanto Júnior (PMDB) e o senador João Durval Carneiro (PDT) têm seus nomes batizando escolas, praças e ruas da capital.

Atuação limitada - O Ministério Público do Estado (MPE-Bahia) reconhece a grande demanda existente em Salvador quando o assunto é irregularidade na nomenclatura de espaços públicos, mas tem atuação limitada, segundo a procuradora Rita Tourinho. 

 “O MP pode agir sem ser provocado, mas teria que fazer um levantamento completo de todos os equipamentos que levam o nome de pessoas vivas, já que não seria interessante tratar  de casos isolados”, assinalou a procuradora. “Mas qualquer pessoa pode entrar com uma representação e o MP entrar com uma ação civil pública, dando um prazo para que o nome seja trocado”, afirmou, revelando o direito do cidadão intervir na questão. Segundo ela, expirado o prazo, o não atendimento  à recomendação do MP pode resultar na responsabilização do gestor público.

“A prática é antiga e em todo o país. O processo de moralização  é lento”, assinalou a promotora, ressaltando que, além da infração de leis estadual e federal, dar nome de pessoas vivas a logradouros públicos fere o princípio da impessoalidade na gestão pública, previsto na Constituição Federal.  Ela afirma que a ação pública pode ser aberta contra o legislativo municipal. “O políticos têm sido coniventes”, assinala.

Trâmite - Na Câmara de Salvador, o diretor legislativo, Benigno Moreira, diz que o trâmite de projetos é cumprido. “A minuta é encaminhada para a Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF) e retorna com os procedimentos indicados para a elaboração do projeto definitivo”, afirmou. Mas a assessoria da FMLF informou que nem todos os projetos passam por lá. “Os vereadores insistem em fazer isso”, disse a assessoria.

Para o presidente da Comissão de Justiça e Redação Final da Câmara de Salvador, Everaldo Bispo (PMDB), que avalia projetos como os que indicam a nomenclatura de espaços públicos, a prática faz parte do passado. “Não damos mais pareceres favoráveis nesses casos”, garantiu.

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O que você achou desta matéria?

Edivon Novaes Lima (30/11/2009 - 23:10)

O Conservadorismo de uma POLÍTICA PERSONALISTA está até mesmo no interior,em CAPIM GROSSO,cidade administrada por uma oligárquia,que só difere em nomes,mas a práticas são as mesma ou até piores,tem duas ruas que se cruzam ACM e LUÍS EDUARDO MAGALHÃES,denominada antes mesmo dos óbitos...Enquanto isso cidadãos que construíram sua história de desenvolvimento político,social e econômico são esquecidos...Onde anda o Ministério Público????Precisava que aguçassémos?????

André Pereira De Brito (30/11/2009 - 22:20)

Lei 6454 de quando? 77? E já existiam órgãos fiscalizadores de leis como o Ministério Público? Se sim, por que não agiu, proibiu? Por quê? E quem deu nomes de pessoas vivas a órgãos públicos? Os deputados? Os vereadores? É lamentável vivermos num país, onde os (ir)responsáveis pela elaboração das leis sejam os primeiros a descumpri-las! É por essas e tantas outras que eu não tenho orgulho de ser brasileiro.

Armundo (30/11/2009 - 22:13)

E Gal Costa ainda vive?

Eduardo Loureiro Andrade (30/11/2009 - 22:09)

Aqui em Canavieiras Paulo Souto se sente tão dono que além de seus servos pisarem nas pessoas, tem o nome dele em Escola e em Sítio Histórico. Nos salvem destas milícias.

Edson Joaquim (30/11/2009 - 18:55)

Caso resolvido,faz um levantamento das irregularidades, aciona a justiça, muda os nomes e pune os culpados. Edson

Sérvulo Fraga (30/11/2009 - 12:37)

É exatamente pela ausência do Ministério Público que os políticos vivem nababescamente deitando e rolando por esse país adentro. Como todos, sabemos que as leis são elaboradas por eles que, por isso ,cheias de artífícios que os favorecem. Vejam por exemplo, as leis de impropridades, de combate à corrupção, ao nepotismo, fisiologismo, colarinho branco, fidelidade partidária, desvio do dinheiro publico, compra de votos, até as que lhes dão imunidades parlamentares e direitos a foros privilegiados!

Lima (30/11/2009 - 12:30)

Esses (veriado) é so puxando saco, seria melhor um plebicito para cortar salario deles. E muito dinheiro que se gasta para nada e muita miseria ao nosso lado.

Lima (30/11/2009 - 11:55)

No Brasil os (corone estão morrendo) esta ficando mas facil descobrir e punir os corrupitos. Viu gov.Arruda viu MPE-BA

Alexandre Santurian (30/11/2009 - 10:36)

Concordo com o Sr. Joaquim Laranjeira. Já denunciei à Transalvador o estacionamento de carros sobre as calçadas do Itaigara (e de toda a cidade), principalmente próximas a bares e restaurantes, num total desrespeito dos motoristas e manobristas para com os pedestres. Não podemos andar a pé nas calçadas, mas os carros podem. Não há fiscalização em Salvador, nem lei. A minha esposa e eu somos obrigados a andarmos na rua próximo à confluência da Paulo VI com a Rua das Hortênsias por causa dos bares

Leonardo (30/11/2009 - 10:35)

Se os nomes fosse de verdadeiros cidadãos valeria a pena, mas pareçe que escolhem os piores e colocam o nome.

Claudio (30/11/2009 - 10:11)

Parabéns pela reportagem! Acredito que o Ministério Público deveria propor um termo de ajuste de conduta com as prefeituras do estado da Bahia. Inicialmente, solicitando as informações necessárias, posteriormente a renomeação dos equipamentos para corrigir esses crimes. Queria lembrar a Procuradora que a falta de iniciativa do MP também constitui crime, passível de punição!

Joaquim Laranjeira Da Silva Neto (30/11/2009 - 08:34)

Gostaria desugerir uma reportagem sobre o descumprimento do Decreto federal 5296 de 02 de dezembro de 2004,com referencia a ABNT NBR 9050 2004 dos predios publicos e privados principalmente sobre as calçadas.

Carlos Machado (30/11/2009 - 07:29)

O nosso ministério público do Estado, nas épocas passadas, não trabalhava. Tudo era feito de errado e o ministério virava as costas. Parecia que o ministério tinha conivencia com o Governo Estadual. Ou quem sabe, medo de impedir alguma coisa dos poderosos. Hoje, no Governo atual, este mesmo ministério, está pelo menos, fazendo algumas fiscalizações e punindo alguns órgãos. Afinal, os poderosos não estão no poder. Assim, o nosso ministério público, consegue dizer para que serve.

Jorge Luiz (30/11/2009 - 07:15)

Isso pq vcs não viram no interior. Aqui em Jequié por exemplo: Av. César Borges, Av. Técia Borges, Av. Governador Lomanto Junior, Estádio Valdomiro Borges., etc. E por aí vai, acho que colocar nome em obra pública prolonga os dias de vida, kkk até hj não morreu um.

Juracy Cardoso (30/11/2009 - 07:09)

A avenida ACM foi nomeada quando? Agora que o jornal acordou?

Carlos Mário De Amorim Barreto (30/11/2009 - 05:32)

Tudo isso acontece porque o interesse público e as leis não são cumpridos e o MP na Bahia é iniperante só se importando em embargar obras. Os Vereadores e os políticos de um modo garal só pensam no seu bolso e em adular as pessoas a serem homenageadas, pensando eles em enganar o povo. Era bem melhor que fossem TRABALHAR para fazer jus ao que ganham.

Antônia Conceição (30/11/2009 - 04:30)

Confesso que ignorava esta lei que impede dar a ruas, praças, etc., nomes de pessoas vivas. Achei, creio que pela existência de inúmeras situações deste tipo, que fosse normal. Imagino muito mais pessoas também se surpreenderão.

Rosivalda Barreto (30/11/2009 - 01:56)

Só precisamos saber até onde vai esta desorganização generalizada no nosso país.!? Os que deveriam manter a ordem a fere!

Jackson (30/11/2009 - 01:40)

Essa é fácil de resolver, acaba com eles ai deixa de estarem fora da lei

Luciano Filgueiras (29/11/2009 - 23:25)

Faços votos que os próximos lesgiladores revoguem essas leis criadas para homenagear mortos; e passemo sim, reconhecer as pessoas enquanto vivas...

Cleber Santos (29/11/2009 - 22:04)

No Maranhão é ainda pior! Só faltam mudar o nome do Estado para aquele sobrenome bem conhecido da política nacional...

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