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23/11/2009 às 22:59
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Ahmadinejad cobra recuo das grandes potências

Agênciam Estado

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, advertiu nesta segunda (23) que seu país terá condições de produzir o combustível nuclear necessário ao funcionamento do reator de Teerã, caso as seis potências nucleares não recuem em suas novas exigências sobre o acordo mediado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena.

Ahmadinejad insistiu que seu país propôs o acordo original e está disposto a buscar no exterior o combustível. Mas completou que não pode permitir que os fornecedores imponham as condições e que seu país não abrirá mão de seus “direitos legais”.  

"Nenhum país independente aceitaria essa proposta. As pessoas, no Irã, não a aceitarão”, afirmou Ahmadinejad, no Itamaraty, ao ser questionado sobre sua relutância em aceitar o acordo de Viena, “Se as pessoas forem chamadas a produzir (o combustível nuclear), elas o farão”, completou, chamando atenção ao pouco tempo que resta para o esgotamento do combustível disponível no Irã, em meados de 2010.  O líder iraniano posicionou-se, com essas declarações, de forma mais clara sobre o acordo que permitiria o acesso de Teerã à quantidade necessária para o suprimento do reator e o início de uma negociação mais profunda com as seis potências - Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia, China e Alemanha - em torno do programa nuclear de seu país.

Ao responder a questão, Ahmadinejad enfatizou a contrariedade de seu governo com os volumes de urânio enriquecido que devem deixar o Irã e retornar ao país na forma de combustível.  

Tal como foi fechado em Viena e encaminhado a Teerã, o acordo prevê que o Irã envie todo o seu estoque de urânio, enriquecido em até 5%, para a Rússia. Esse país elevaria esse teor a 20% e despacharia a carga para a França, onde seria transformada em combustível nuclear. O produto final voltaria ao Irã, para abastecer o reator de Teerã, cuja finalidade é a produção de radio-fármacos.

Segundo Ahmadinejad, ao contrário dos termos do acordo original, a remessa final teria volume menor que o embarque inicial, o que seria inaceitável. "Temos condições de enriquecer o urânio a 20% e temos direito legal de fazê-lo. Mas, para criar um clima de cooperação, estamos prontos a (abdicar dessa produção) comprar o combustível nuclear”, afirmou.

“O mercado é livre. Queremos comprar combustível, mas sem condições políticas e técnicas. Isso não é a forma de se fazer. Cabe ao comprador definir as condições técnicas”, completou.
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