Ceci Alves, do A Tarde

Sumida da pauta política dos candidatos à Prefeitura de Salvador durante todo o primeiro turno, a cultura deu o ar da graça na sucessão municipal, conduzida à ordem do dia, curiosamente, pelas mãos da sociedade civil, que transformou a pauta de reivindicações – e possíveis apoios a cada candidato na disputa – em um debate amplo sobre os caminhos do assunto nos próximos quatro anos.
Mas a discussão se polarizou e, nesta quarta-feira, 22, terá dois lances eleitoreiros. O primeiro, um almoço no restaurante Barbacoa, para que Walter Pinheiro (PT) encontre pessoas do campo cultural, “e tenha uma conversa na boca da eleição sobre a pauta cultural”, como colocou o jornalista Iuri Rubim, um dos redatores do Manifesto de Apoio do Campo Cultural a Pinheiro e Lídice, documento que foi o estopim para a volta da discussão sobre política cultural à baila. “Vamos levar o manifesto para pautar a conversa que teremos”, informa Rubim.
O outro evento será a apresentação a artistas, intelectuais e produtores de cultura do projeto Arte para Todos, preparado pelo escritor Antonio Lins e que será inserido no programa de governo do candidato à reeleição João Henrique (PMDB). A discussão acontece no Café Machiavelli, no Rio Vermelho, às 19 horas.
Sem adesão – Apesar do viés eleitoral e até adesionista destes eventos, ambos, como frisam os organizadores, não são somente para que sejam declarados apoios aos candidatos.
“É um momento de eleição, mas, sobretudo, de avaliação e de construção, de debater a cultura, coisa que o País não faz há muito tempo”, afirma a produtora cultural Fátima Fróes, também coordenadora do setorial de cultura do PT. Fátima encontra eco no escritor Ildásio Tavares, que está com a participação prevista no evento proposto por simpatizantes de João Henrique. “Eu vou para discutir política cultural, quero deixar isso claro”, sentenciou.
A dramaturga e escritora Aninha Franco, diretora do Theatro XVIII, ressalta que entrou na discussão não para defender lados, mas para acompanhar a criação de uma política. “A cultura é o viés da cidade de Salvador. Não é uma firula, uma coisa desnecessária, é essencial para a cidade. E não se tem uma política cultural para esta cidade”, salientou.
Aninha Franco chama a atenção para o fato de que essa discussão sequer foi tocada pelos meios de comunicação e prefeituráveis. “De todos os problemas enunciados pela mídia para os políticos resolverem, a cultura não está incluída”. Iuri Rubim também pontua isso: “Em Salvador, não se pensa cultura enquanto política pública. E a própria população, no momento da pesquisa qualitativa, que define estratégia dos candidatos, não pensa no assunto enquanto política pública. Então, o assunto não sobressai”.
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