POLÍTICA & CIDADANIA


16/02/2009 às 08:57

Fogo no PMDB

Paixão Barbosa

"A maioria dos peemedebistas se especializou nessas coisas pelas quais os governos são denunciados: manipulação de licitações, contratações dirigidas, corrupção em geral. A corrupção está impregnada em todos os partidos. Boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção". Lido assim, o trecho acima parece ser a declaração de algum democrata ou tucano, mas trata-se de parte das palavras mais duras já ditas a respeito de um partido político no Brasil, proferidas em entrevista à Revista Veja por um dos fundadores da legenda, o senador Jarbas Vasconcelos (PE), que chegou a ser um dos nomes cotados para candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff.

Na mais devastadora entrevista, que li, de um político, pelo menos nos últimos 30 anos, Jarbas Vasconcelos desancou com o PMDB. Além daquele trecho lá em cima, ele disse que o PMDB só quer cargos para fazer negócios e ganhar comissões. Aproveitou para atacar, também, o recém-eleito presidente do Senado, José Sarney: "A eleição de Sarney foi um processo tortuoso e constrangedor. Havia um candidato, Tião Viana, que, embora petista, estava comprometido em recuperar a imagem do Senado. De repente, Sarney apareceu como candidato, sem nenhum compromisso ético, sem nenhuma preocupação com o Senado, e se elegeu. A moralização e a renovação são incompatíveis com a figura do senador".

De Renan Calheiros, principal artífice da candidatura Sarney, Jarbas diz: "Ele não tem nenhuma condição moral ou política para ser senador, quanto mais para liderar qualquer partido. Renan é o maior beneficiário desse quadro político de mediocridade em que os escândalos não incomodam mais e acabam se incorporando à paisagem". Sobrou também para op governo Lula, com o qual o senador diz ter se decepcionado ao perceber que ele não tinha "compromissos com reformas ou com a ética" e classificou a menina dos olhos do seu conterrâneo, o programa Bolsa-Família, como "o maior programa oficial de compra de votos do mundo".

Jarbas Vasconcelos, duas vezes prefeito de Recife e duas vezes governador de Pernambuco, sempre foi considerado um político sério e coerente, o que aumenta bastante o peso das acusações que faz ao seu partido. Decepcionado com a atividade política, ele diz que não pretende disputar mais nenhum cargo eletivo, mas não quer sair do PMDB, preferindo ficar ali como dissidente e já anunciou que vai apoiar a candidatura de José Serra (PSDB), caso ele seja candidato à Presidencia em 2010.

Curiosa foi a reação do PMDB. A princípio, pareceu perplexidade, mas, vendo-se melhor, trata-se da velha "sabedoria" de deixar o tempo passar antes de tomar alguma decisão. Mesmo com ataque tão intenso, não se cogita da expulsão de Jarbas, talvez ele seja "aconselhado" a sair do partido. Sarney e Renan, citados diretamente, preferiram ficar calados.

Seja qual for o desdobramento, o PMDB sai deste episódio com  sua imagem destroçada. Mas, em outras ocasiões, o partido já mostrou ter fôlego de sete gatos. Vamos ver como se sai desta. Leia a entrevista, na íntegra, no blog do jornalista Ricardo Noblat.


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