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24/07/2009 às 21:44
  | ATUALIZADA EM: 24/07/2009 às 21:49 | COMENTÁRIOS (16)

Pirataria fecha mais de 600 videolocadoras em Salvador

Luciana Rebouças l A TARDE

Haroldo Abrantes/Agência A TARDE
Edson Gama diz que as locadoras poderiam diminuir o preço do aluguel dos  DVDs originais
Edson Gama diz que as locadoras poderiam diminuir o preço do aluguel dos DVDs originais

Uma queda de 40% no mercado de aluguel de DVDs em Salvador levou ao fechamento de mais de 600 videolocadoras nos últimos dois anos. O número de videolocadoras estimado em 700 lojas na cidade, dois anos atrás, hoje não ultrapassa 30 empresas, segundo Paulo Rogério Oliveira, no ramo há 22 anos, proprietário da M1 Vídeo e membro da Associação Baiana das Empresas de Vídeo (ABEVídeo). A perspectiva de melhora nesse setor fica cada vez menor, com o avanço da pirataria, visível nas ruas de Salvador e nos municípios do interior do Estado.

O enxugamento do setor é nacional. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Vídeo mostram que das 12 mil lojas abertas no País em 2007, apenas três mil sobreviveram à invasão dos DVDs piratas. “O setor, que já empregou 75 mil pessoas,  hoje emprega cerca de 22,5 mil”, lamenta Paulo Rogério Oliveira.

A pirataria em Salvador também repercute no número de lançamentos que chegam às poucas locadoras que restam. Se antes, chegavam, por mês,  em média novos 180 DVDs, este número hoje não ultrapassa 50. Estes já nem concorrem mais com o DVD vendido no camelô, a agilidade da reprodução já permite a concorrência direta com os filmes que estreiam nos cinemas.

As locadoras maiores, e localizadas em bairros nobres, sofrem menos com o problema. Já Nailton dos Santos, conhecido como Seu Careca, no bairro da Liberdade, quase fechou as portas. Há 15 anos no setor, o empresário mostra o restante dos títulos que tem para vender, após decidir investir apenas no aluguel de DVDs evangélicos.

“Mudei para o evangélico, porque os piratas ainda não concorrem diretamente comigo”, conta Santos. O empresário chegou a ter mais de mil títulos para alugar e agora mantém em paralelo aos DVDs evangélicos a venda de bíblias e outros artigos religiosos. “Alugando DVDs originais, só tem eu e mais uma. No auge, o valor do aluguel chegou a R$ 2,50. Agora, não passa de R$ 1,50”, informa Nailton dos Santos.

Internet – Gui Ferreira, proprietário da Vídeo Hobby, mostra no computador as cópias de filmes piratas baixados na internet. “São perfeitos”, diz. Além da concorrência com o comércio informal, muitos clientes deixaram de frequentar as lojas em decorrência dos downloads. Ele conta que houve uma redução de cerca de 40% dos clientes.

De  2007 para cá, o empresário fechou uma  loja no Itaigara, diminuiu o período de funcionamento da loja da Manoel Dias da Silva, na Pituba, que antes ficava aberta 24 horas,  e mudou a locadora da Graça de endereço.

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Vídeo  mostram que a área já empregou 75 mil pessoas. “Reduzi meu quadro de funcionários em 30%”, conta Gui Ferreira

Para todos os empresários, há ainda um descaso do poder públicos sobre a situação. “As ações são praticamente inexistentes. Os órgãos municipais e estaduais não têm feito ações para combater a pirataria”, critica Ferreira.

Apreensões – Dados da Associação Antipirataria Cinema e Música (APCM), que monitora as apreensões em todo o País, mostram que a região com o menor número de recolhimento de DVDs piratas foi o Norte, seguido do Nordeste.

A liderança continua com a Região Sul, com 11.643.891 CDs e DVDs piratas e virgens apreendidos, seguida  do Sudeste, com 8.811.693. Em terceiro, aparece o Centro-Oeste, com 2.551.070; em quarto a Região Nordeste, com 1.316.181. E, em último, a Região Norte, com 391.469 mídias piratas retiradas do mercado.

A administradora de empresa  Mara Santos costuma alugar de quatro a seis filmes por semana. Ela diz que não concorda com a pirataria. “A qualidade também é muito baixa”, reclama Mara. Os empresários também criticam a postura dos consumidores, que aderem aos produtos mesmo sabendo que os vendedores estão praticando um crime. O programador Edson Gama não nega que fica dividido, mas contesta. Apesar de alugar filmes originais, ele não nega que também compra o pirata em algumas situações. “As locadoras poderiam diminuir o preço do aluguel dos  DVDs originais”, diz ele.

São atitudes de rejeição a pirataria como a de Mara, que as autoridades acreditam que podem ajudar a solucionar o problema. Marcelo Tannus, coordenador do grupo de agentes civis pertencentes ao Grupo Especializado na Proteção a Propriedade Intelectual (Geppi), alerta que os consumidores também precisam ver a pirataria como um problema.

Ele conta que o Geppi apreendeu 500 mil mídias piratas, entre CDs e DVDs, só no primeiro semestre deste ano, mas rebate as críticas de empresários. “Temos oito policiais e duas viaturas para cobrir todo o estado da Bahia”.

A participação mais efetiva da sociedade denunciando as locadoras que trabalham com material pirateado  também é  importantes para a ação do Geppi. “Eles ficam mais escondidos e não temos efetivo para irmos de bairro em bairro em Salvador. Mas se a sociedade denunciar, vamos e apreendemos todo o material”, garante Tannus.

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COMENTE ESSA MATÉRIA  16 comentários

O que você achou desta matéria?

Rogério Spinelli (06/08/2009 - 16:23)

A população é a principal responsável por essa crise no setor. É muito fácil cobrar ação da polícia, quando quem não deviria comprar, são os próprios cidadãos, que exigem mais segurança dela para combater o crime.Hipócritas! Querem segurança e financiam o crime. A onde vamos parar?

Sandy (26/07/2009 - 01:32)

Só as portas dos gabinetes piratas é que não fecham. Até hoje tem funcionários piratas nomeados por atos secretos piratas. Tudo na clandestinidade. Isso que é pirataria cara.

Danilo Mira (25/07/2009 - 11:21)

Eu não sou santo, pois eu já comprei muitos cds e dvds piratas mas, há mais de dois anos, parei! Pessoal, já tá na cara que os empresários, estúdios de produções, estão com a verba menor devido a pirataria no Brasil. Muitas pessoas dizem que "os artistas tão cheios da grana, não vão notar", uma forma nada inteligente de pensar! Se eles estão ricos é resultado do bom trabalho que eles fazem agora! Em relação a nós, o que importa é o trabalho deles. E sem verba para eles a coisa pára! Acorda gente

Danilo Mira (25/07/2009 - 11:14)

Sou praticamente contra a pirataria. O por quê : se as pessoas não tiverem bom juízo agora, chegará um tempo em que não haverá mais cantores,bandas, filmes nacionais ou internacionacionais para todos nóis podermos nos entreter ! Isso, porque de onde virá a verba para os artistas poderem fazer os trabalhos? E isso não está longe, pois em 2009, quantos cantores ou bandas foram tocar na TV? Quantas novas músicas foram lançadas? A culpa é de quem compra o pirata e não de quem faz!

Hippolyterivail (25/07/2009 - 08:54)

Solução para estabilizar o mercado de venda e locação de filmes: 1. Permitir que o Título (filme) chegue ao Brasil, na mesma data que é disponibilizado para outros paíes; 2. Retirar a garga tributária que pesa sobre esses produtos ao entrar no Brasil; 3. O donos de Locadoras devem entender que eles não são donos dos Clientes e, sim, ao contrário (antes da crise o quadro era pintado com mal-atendimento e preços absurdos); 4.A pirataria começou com os Filmes-Preview que algumas locadoras vazavam!

Manoel Silva (25/07/2009 - 08:48)

O problema para as locadoras é maior que a pirataria. É uma mudança de mercado. Quantas pessoas tem acesso hoje a tv a cabo. Nos EUA já esão alugando filmes pela internet.

Rafael Antón (25/07/2009 - 07:18)

As locadoras precisam abaixar o preço, as LOJAS precisam abaixar o preço, e os "pirateiros" precisam ganhar um emprego decente! Falam que locadora emprega 22 mil, mas esquecem que alguns daqueles que vendem DVD pirata, vivem daquilo, bem ou mal. Não adianta excluir gente da sociedade, em prol do capitalismo. E eu não pago 30 reais num DVD, o qual posso pagar 3 reais ali na esquina. Sinto muito, mas não sou filhinho de papai nem tenho berço de ouro.

Moisés Oliveira (25/07/2009 - 06:36)

Diante da realidade do brasil,as pessoas que lidam com o mercado fonográfico e cinematográfico sempre praticaram preços extorsivos com suas mídias. deixando dessa forma uma lacuna imensa para pirataria.SE OS PREÇOS FOSSEM JUSTOS DESDE INÍCIO A PIRATARIA NÃO AVANÇARIA TANTO.

Valessio Brito (25/07/2009 - 01:59)

Massa a industria pensar no seu umbigo (forma de manipulação e distribuição da propriedade intelectual) colocando a culpa na pirataria (pessoas que compartilham o conhecimento, divulgam o conteúdo das industrias e provocam avanços significativos na humanidade)... convido a tod@s, para refletir o que é Pirataria; entre e ajude construir um Partido Pirata ( www.partidopirata.org ) Porque os Direitos Autorais não valem mais do que os Direitos Humano.

Benicio (24/07/2009 - 23:40)

Quero ver quando a industria cinematográfica perder o interesse em produzir filmes. Esperteza não é inteligência! A pessoa que joga lixo na rua hoje é a mesma que vai ter a casa alagada amanhã. Não adianta ficar reclamando do governo e dos deputados se não fazemos nada para melhorar nosso país.

Caio Varela (24/07/2009 - 22:38)

O que acontece com as locadoras de Salvador atualmente pode ser o retrato do que ocorrerá com todos os setores da economia, nossas empresas são levadas à falência pela própria políica tributária do país, com sua carga altíssima, e ineficiência na fiscalização dos infratores, o que gera uma concorrência desleal, de quem paga com quem não paga. Esse país precisa de uma reforma tributária e política urgentemente, mas como a maioria paga muito sme perceber, tudo fica por isso mesmo.

Lucas (24/07/2009 - 22:33)

o fator predominante não é a pirataria e sim o alto preço que é cobrado em uma locação para devolver em 24h chegando a custar até R$ 8,00, no meu caso ficou muito mais em conta ter um canal fechado que possui uma boa variedade de títulos. Se eu fosse dono de video locadora me adequaria ao mercado oferecendo títulos ilimitados por um preço fixo por mês para poder concorrer com os canais fechados.

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