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18/07/2009 às 20:06
  | ATUALIZADA EM: 18/07/2009 às 20:11 | COMENTÁRIOS (10)

Polo de Informática de Ilhéus mergulha em sua pior crise

Ana Cristina Oliveira e João Pedro Pitombo l A TARDE

Zeka/Agência A TARDE
A Netgate está entre as  empresas do complexo que não resistiram à crise e fecharam as suas portas
A Netgate está entre as empresas do complexo que não resistiram à crise e fecharam as suas portas

Principal complexo industrial do sul da Bahia, o Polo de Informática de Ilhéus está mergulhado na pior crise desde sua criação, em 1995. As indústrias de montagem de computadores e componentes eletroeletrônicos fecharam 2008 com uma queda no faturamento estimada em R$ 600 milhões, em relação ao ano anterior. Um valor que representa uma redução de 30% no lucro destas empresas.

A crise foi a deixa para que cinco empresas mudassem de endereço, buscando em Minas Gerais condições mais atraentes de estrutura, financiamento e política fiscal. Duas delas – Megaware e a Cmos-Drak – se deslocaram par a Grande Belo Horizonte. As outras três – Linear, Sense e Waytec – foram para Santa Rita do Sapucaí. Com uma população estimada em 35 mil habitantes, este pequeno município mineiro é considerado vanguarda na indústria eletrônica e possui um PIB per capita duas vezes maior que o de Ilhéus.

A recessão na economia global também  teve forte impacto no desempenho da maioria das 52 empresas do complexo, principalmente nas de pequeno e médio portes. O efeito imediato da recessão veio na forma de demissões e fechamento de unidades industriais. Segundo estimativas do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas de Ilhéus e Região, cerca de 700 trabalhadores foram dispensados desde a eclosão da crise, em setembro do ano passado.

Neste período, pelo menos seis empresas do complexo industrial descerraram as portas, entre elas a Syntax, Netgate, Notcel e Ecimex. Este número representa cerca de um terço das empresas que fecharam desde a criação do Polo de Informática. O impacto nos cofres da prefeitura também foi significativo. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Ilhéus, Alfredo Landim, o complexo industrial já chegou a ser responsável por 50% da arrecadação de Imposto sobre Serviços (ISS) da prefeitura. Atualmente, o complexo é responsável por uma fatia de somente 25% do imposto recolhido.

O secretário de Indústria e Comércio, Rafael Amoedo, reconhece que a crise tem afetado economicamente a região e promete discutir soluções com os empresários, numa audiência marcada para a próxima quinta-feira.  “Com a queda na arrecadação causada pela crise, houve uma redução na expectativa de investimentos do Estado. Estamos fazendo o que está ao nossa alcance”, pontua o secretário, que promete a aplicação de R$ 2 milhões em reparos na infraestrutura do parque industrial.

As deficiências de infraestrutura, segundo o  Sindicato das Indústrias de Eletroeletrônicos de Ilhéus (Sinec), dificultam o adensamento da cadeia produtiva e a atração de novos investimentos. “Sem infraestrutura, não se consegue trazer indústrias de suporte, como fabricantes de placas, plástico, papelão e de desenvolvimento de software”, avalia o empresário Gentil Pires, presidente do sindicato.

Falta crédito – Um dos principais efeitos da crise, no Polo de Informática, tem sido a descapitalização das empresas. Sem acesso a crédito para investimentos, os empresários recorreram ao governo do Estado em busca de uma solução. A Desenbahia, agência de fomento vinculada à Secretaria da Fazenda, abriu uma linha de crédito específica para o parque industrial em dezembro do ano passado. Ao todo, foram seis  operações propostas, num valor global de R$ 4,5 milhões.

Para o Polo de Informática, especificamente, a Desenbahia criou uma linha para capital de giro de caráter emergencial – a CrediFácil Giro Especial. A linha prevê prazo de 24 meses, oito meses de carência e juros de 1,8% ao mês. Um montante de  R$ 30 milhões foi colocado à disposição das empresas com mais de três anos de atividade.

De acordo com  o presidente do Sindicato das Indústrias de Eletroeletrônicos de Ilhéus, a maior parte dos empresários não aderiu ao plano emergencial do governo do Estado, em razão do valor limitado do crédito e juros considerados altos. “O que eles nos ofereceram é o mesmo que se consegue em alguns bancos privados. As condições não compensavam”, argumenta Pires.

O empresariado pede mais apoio do poder público para concessão de crédito para capital de giro: “A dinâmica da nossa carga é grande. As empresas pagam à vista e precisam receber os equipamentos com rapidez”, diz Gentil Pites . E exemplifica, citando um produto em franca expansão: “A demanda por laptop (computador portátil) aumentou muito, mas as empresas não dispõem de capital de giro para fabricar e nem comprar no exterior. Para cada R$ 1 milhão faturado com o laptop, são necessários R$ 5 milhões de capital de giro para importar componentes”.

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O que você achou desta matéria?

José Carlos Dos Santos (20/07/2009 - 00:29)

Quando uma empresa não vai bem, eu aprendi que o problema está na sua gerencia,é necessário que se coloque pessoas competentes no comando senão os funcionários continuarão sendo responsabilizados com a demissão.

Isabel Valentim (19/07/2009 - 11:30)

Como todo império (neste caso do cacau), Ilhéus teve sua ascenção, seu ápice e seu declínio. No auge, não soube projetar-se para o futuro. Hoje favelizada, suja e violenta, afugenta capital e assiste agonizante o desenvolviento regional em torno de si.

Joao Luiz Santos (19/07/2009 - 10:50)

Tudo isso é resultado do imobilismo do governo da Bahia. Enquanto os outros estados conseguem atrair empresas, a falta de competência do governo só faz afugentar as já existentes. Além disso, não se veem obras no estado a não ser aquelas de cunho eleitoreiro. Precisamos de prefeito e governador de verdade!!!

Rodrigo (19/07/2009 - 09:15)

Este senhor que se diz secretário da indústria e comércio da Bahia está dilapidando as indústrias desse estado e as enviando para outros estados. Nunca vi tanta incompetência! Peça para sair e não volte nunca mais!

Afranio Feitosa (19/07/2009 - 09:14)

Seria interessante que se publicasse a estatística dos postos de trabalho em cada ano desde a criação do Polo. Acho que a grande maioria não traz componentes para montar, mas já recebem montados. É só conferir.

Vinícius Silva, Mcsa (19/07/2009 - 03:19)

Talvez a crise econômica tenha influenciado, mas essas empresas estão com dificuldades por terem um péssimo controle de qualidade e um péssimo suporte pós-venda. Somente aqui na Bahia, uma pessoa compra um computador e não pode abrir para adicionar peças sem perder a garantia. Aprendam com a Dell (que possui fábricas no Sul/Sudeste). Nos testes de sistema, provavelmente usam DOS, desconhecem o Memtest86 e o Prime95. E o melhor, tente trocar uma peça danificada...

Claudio (18/07/2009 - 20:58)

O problema da empresa Netgate, que aparece nessa matéria, de nada tem haver com crise. Pois o mercado de informática cresce cada vez mais. Imposto, é uma palavra que não está no dicionário da empresa (Netgate). Que está sendo investigada inclusive pela Polícia Federal, por sonegação de impostos. Mais de 150 funcionários, apenas em Salvador, esperando por providencias quanto ao valor devido. Milhões sonegados, enquanto os funcionários que ajudaram a levantar essa empresa, passam fome.

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