O comércio varejista baiano está otimista com as vendas no Dia dos Namorados e com os festejos juninos. A expectativa é que os negócios no setor registrem um crescimento médio entre 4% e 6% neste mês de junho em comparação com igual período do ano passado. Botas, roupas, lingeries e câmeras digitais, além das tradicionais lembrancinhas – presentes de menor valor agregado – são as apostas dos lojistas para este mês.
“A expectativa é muito grande não só para o mês de junho, mas para todo o segundo semestre, afinal os juros começaram a cair, os prazos vão ser ampliados e os novos empreendimentos estão se consolidando”, enumera Paulo Motta, presidente do Sindicato dos Lojistas de Salvador (Sindilojas). Ele só não se arrisca a fazer previsões sobre retomada dos empregos: “Em março, previ que a crise poderia eliminar 10 mil empregos e foram 15 mil. Uma catástrofe”, afirma.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Antoine Tawil, também está animado. Apesar de lamentar o prejuízo de vendas no comércio de rua em maio – mês das mães – devido às chuvas, ele já consegue apontar quais setores começaram a contratar mão-de-obra temporária para o mês de junho: vestuário, calçados e alimentos. “Ainda não dá para calcular quantos postos estão sendo ocupados, mas já é um alento. Mais do que isso, é um sinal de que o segundo semestre poderá ser melhor que o primeiro”, avisa Tawil, que arrisca uma previsão de crescimento entre 3% e 4% agora em junho em relação a igual mês de 2008.
O mês de maio foi positivo para os shopping centers. “Até março havia um clima de apatia no comércio”, lembra Graça Valadares, presidente da Associação dos lojistas do Shopping Center Iguatemi (Alcib), que comemora um crescimento de vendas em maio: “Não dá para reclamar. O comércio está em ritmo crescente. As vendas estão aquecidas e a expectativa é boa para junho”, comenta.
Cautela – O presidente da Federação do Comércio, Carlos Amaral, por sua vez, diz que as vendas na Bahia depois de novembro cresceram e assim permaneceram até o primeiro trimestre. Depois – conta ele –, há uma queda e sobrevivem de eventos pontuais, como Dia das Mães, Dia dos Namorados e São João. Para ele, o momento é de muita cautela, pois o maior gargalo ainda continua sem solução, que é a questão do crédito. “As isenções é que estão segurando o comércio. Se forem prorrogadas, haverá uma melhora, mas se cessarem, o comércio vai sofrer muito”, afirma.
Para Vânia Moreira, coordenadora da pesquisa mensal do Comércio, da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais do Estado da Bahia (SEI), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento, em junho, apenas alguns setores se beneficiam, como o de supermercados, de calçados e roupas e, portanto, não dá para apostar em aceleração das vendas do varejo em geral.
Entre os produtos, a lingerie é a campeã de vendas nesse período. E este ano não será diferente, garante a gerente da loja Hope, do Iguatemi, Isis Gomes. “O Dia dos Namorados é a nossa segunda melhor data. Perde apenas para o Natal”, avisa. Segundo ela, tanto a mulher quanto o homem procuram intensamente o produto nesta época. Outro produto que está tendo bastante procura neste período é câmara digital. “Estou apostando num crescimento de 30% neste mês”, afirma o proprietário da Digital Mix, do Iguatemi, Fábio Cardoso.