A inauguração do Shopping Paralela, prevista inicialmente para coincidir com o aniversário da Cidade do Salvador, em 29 de março, está suspensa por conta da paralisação nas obras provocada pela greve dos trabalhadores da construção civil, iniciada na última quinta-feira. Os organizadores do empreendimento só irão informar a nova data da inauguração depois de um acordo entre patrões e empregados.
Segundo a Embasa, o impasse também está afetando os serviços de manutenção da rede de água e esgoto, uma vez que os mesmos são realizados por empresas terceirizadas, cujos trabalhadores são ligados ao Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintracon).
As obras no shopping, que teve um investimento da ordem dos R$ 250 milhões e a estimativa de gerar aproximadamente cinco mil empregos, estão paradas.
O diretor da W. Barreto, Walter Barreto, responsável pelo empreendimento, prefere não tornar público o prejuízo com a situação. “O que eu posso dizer é que isso tudo está custando caro, muito caro”, lamenta. Depois da decisão de suspender a inauguração, ele diz que teve de alugar um espaço externo para atender os lojistas. “Os grevistas não nos deixam entrar na área do shopping”, reclama.
Para o empresário, o momento para a greve é inoportuno, dadas as condições do cenário internacional. “Em todos os outros estados, o esforço tem sido pela manutenção dos empregos”, diz Barreto.
Quem responde ao questionamento do empresário é o diretor do Sintracon, Luiz Cláudio Belon. “O PIB (produto interno bruto) da construção civil cresceu 7,5% na Bahia só no segundo semestre do ano passado”, aponta o sindicalista. “Isso sem contar que em qualquer que se passe na cidade, o que se vê são anúncios das unidades vendidas”, comenta ele.
O impasse está localizado no percentual de reajuste dos salários e nos critérios para receber a cesta básica, hoje prevista para trabalhadores em obras que empreguem mais de 180 pessoas. Os trabalhadores querem um reajuste de 13% no salário e que o operário receba o benefício da cesta independente da quantidade de pessoas na obra.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Vicente Mattos, que representa os patrões, os trabalhadores não se entendem em torno de uma proposta razoável, o que estaria causando prejuízos em diversos empreendimentos.
“Existem diversas obras paradas, o que vai representar custos adicionais pelo atraso na cadeia e até o pagamento de multas, em alguns casos”, lamenta. Tudo isso, analisa Mattos, por conta de “uma greve intempestiva”. E a possibilidade de acordo? “Estamos tentando construir um entendimento para ver se conseguimos avançar, mas até o momento não foi possível evoluir nada”.
A próxima oportunidade para que os dois lados entrem em acordo é amanhã, em audiência marcada pelo Ministério Público do Trabalho, às 9 horas.