Cineasta sazonal, o diretor paulista Guilherme de Alm eida Prado, 53 anos, não apresentava um filme desde que lançou A Hora Mágica, há dez anos.
Agora, está em cartaz com Onde Andará Dulce Veiga? , seu quinto longa-metragem, em que reúne algumas de suas musas de outras jornadas, como as atrizes Maitê Proença e Christiane Torloni. Novamente é a reverência ao próprio cinema que funciona como busca principal.
A história do projeto de Onde Andará Dulce Veiga? começou no final dos anos 1980, quando Guilherme se encantou com uma crônica do escritor e jornalista Caio Fernando Abreu, que se chamava Onde andará Lyris Castellani?, sobre uma atriz desaparecida. O diretor convidou Abreu para juntos desenvolverem um roteiro.
Em vez de simplesmente criarem a transposição, a dupla retomou um projeto de romance de Caio Fernando Abreu que se chamava Dulce Veiga. Criaram as bases de uma nova história. O livro foi publicado em 1990. Só que o filme não saiu. O governo Collor desestruturou o fomento à produção de cinema no País, e o roteiro foi para a gaveta.
Somente dez anos após a morte de Caio Fernando Abreu, que faleceu aos 47 anos, em 1996, Prado retomou a história. O cineasta nunca negou que este seria o seu projeto mais importante, que, de certa forma, sintetiza o tipo de cinema que ele persegue desde o início da c a r re i r a .
Prado nunca abriu mão da idéia de um cinema autoral, sem concessões de mercado. Por isso a sua pequena (mas valiosa) filmografia nunca alcançou grande aceitação em termos de público, mesmo com as boas críticas. Seu momento de maior visibilidade aconteceu com A Dama do Cine Shangai, quando foi festejado como o primeiro diretor brasileiro a flertar com as idéias pós-moder nistas.
PÓS-MODERNO – Na verdade, a principal característica que motivou a classificação do seu cinema como pós-moderno diz respeito às referências ao cinema do passado glorioso de Hollywood, especialmente as mulheres fatais e o ambiente dos filmes policiais do gênero noir. Onde Andará Dulce Veiga? segue essa mesma premissa, sendo que tenta sofisticar ainda mais esse tipo de narrativa cheio de citações.
A trama conta a história de um jornalista, não por acaso batizado de Caio. O personagem, vivido pelo ator Eriberto Leão, está à procura da atriz e cantora Dulce Veiga (papel da atriz Maitê Proença), que fez um grande sucesso numa época, mas desapareceu da mídia.
Ele chega até a jovem filha dela, a líder de uma banda de rock, vivida pela atriz Carolina Dieckman. Em pouco tempo, ele se sente fascinado pela jovem, numa espécie de transferência da admiração que tinha pela mãe.
Drama, suspense e policial se misturam na construção desta narrativa, que preza muito o simulacro. O tom não segue as premissas do realismo-naturalismo que geralmente prevalece na dramaturgia do cinema.
As interpretações, incluindo o resto do elenco (Christiane Torloni, Nuno Leal Maia, Oscar Magrini, Júlia Lemmertz e Matilde Mastrangi), são exageradas, servindo à concepção farsesca da fita. O resultado é um tanto hermético, que dá prazer aos que sabem colher as citações, mas rechaça o grande público, ainda mais porque o discurso se esvazia antes que a trama se feche.
ONDE ANDARÁ DULCE VEIGA? | De Guilherme de Almeida Prado | Com Maitê Proença, Carolina Dieckman, Eriberto Leão | Multiplex Iguatemi | UCI Aeroclube | SaladeArte-MAM | 16 anos