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20/02/2008 às 23:32
  | ATUALIZADA EM: 21/02/2008 às 00:06 | COMENTÁRIO (1)

Exposição: saveiros compõem universo de Bel Borba

José Eduardo Carvalho, do A TARDE

Xando Pereira / Agência A Tarde / Arquivo
Embarcação é considerada símbolo da Baía de Todos os Santos
Embarcação é considerada símbolo da Baía de Todos os Santos

Revisitar o próprio universo simbólico, composto por personagens exóticos feitos de madeira recolhida de saveiros, é a proposta do artista plástico baiano Bel Borba, que vai abrir a exposição "Saveiro Entre Eles Saveiro", nesta sexta-feira, 21, às 19 horas, na Câmara Municipal de Salvador e na Praça Municipal, como evento integrado à Semana do Saveiro.

Borba fez uma viagem às margens do Rio Paraguaçu, em Maragogipe (Recôncavo baiano), para resgatar esquecidos pedaços de madeira de saveiro – antiga embarcação, considerada o símbolo da Baía de Todos os Santos, por sua contribuição social durante décadas, servindo para transportar cargas entre as cidades baianas.

Bel Borba é um interventor urbano dotado de um interessante imaginário fantástico. Do antigo Muro de Berlim, no qual o artista também fez uma intervenção, aos locais mais inóspitos de Salvador, ele colore as ruas com seus mosaicos – e, através deles, conseguiu projeção.

O resgate – No leve embalo do saveiro, ao velejar sobre as águas esverdeadas da Baía de Todos os Santos, Bel Borba foi em busca da matéria-prima que mais tarde daria origem a uma coleção de esculturas. Para realizar a missão, solicitou a ajuda de seu amigo Roberto Carlos, conhecido como Malaka, que também colaborou na idealização do projeto. “Poderia ter sido uma simples exposição de telas inspiradas no universo dos saveiros da nossa Baía de Todos os Santos. E eu, é claro, escolhi o caminho mais difícil, deve ser coisa de artista. Resolvi fazer uma coleção de esculturas com restos de saveiros”, explica Bel.

No estaleiro de Mestre Dego, tradicional construtor e restaurador de saveiros, dentro do manguezal, próximo a Maragogipe, Bel Borba encontrou o que precisava. Diante de tantos restos de madeira, que provavelmente seriam queimados ou corrompidos com o tempo, o artista teve a idéia de transformar tudo aquilo em arte. “Fiquei até nervoso, porque eram tantas peças, e todas se insinuando para mim, implorando para serem levadas, usando a mais covarde de todas as seduções, me sugerindo tudo que eu poderia fazer com elas e elas por mim”, conta.

Depois de escolher as madeiras e negociar com Mestre Dego, Bel Borba estava pronto para retornar a Salvador. Começaria, a partir de então, outra etapa, que só seria finalizada ao descarregar o material para dar início à elaboração das esculturas. “Aquela efervescência toda da rampa do Mercado Modelo, bastante movimentada, e, no meio de tudo, um caminhão cheio de pedaços de saveiros, de tudo quanto é cor. Precisei entrar no Mercado para ter certeza de que eu já tinha viajado no tempo e na matéria”, recorda Bel Borba, sobre a volta para Salvador.

A intervenção – Com os pedaços de madeira distribuídos sobre o chão, num galpão localizado na Estrada do Cia, Bel Borba começou a analisar o material para começar o trabalho. Na confecção das peças, utilizou a mão-de-obra, os equipamentos e as técnicas específicas de conserto de barcos e saveiros.  Sem pregos e tinta, apenas cortando e encaixando, colocou massa colorida, que se usa em conserto de barcos e canoas, feita com uma espécie de cal e azeite-de-dendê.
Com a ajuda do Mestre Arribite, perito em consertar embarcações, Bel Borba aprendeu técnicas e aprofundou o conhecimento sobre a madeira dos saveiros. “Mergulhei sobre essa rica matéria-prima, com tanta história, tantos personagens e tanta cultura, e fiquei com a vontade de revisitar a minha própria obra, projetando-a nessa matéria-prima que são as madeiras dos saveiros”, comenta Bel Borba.

A História – A trajetória de Alberto José Costa Borba, hoje com 51 anos, parece pouco comum quando o assunto é arte. Sua iniciação no mundo artístico começou aos 14 anos, quando fez uma exposição de xilogravuras no Terreiro de Jesus. Aos 18, já realizava sua primeira exposição autoral. De lá pra cá, inúmeras imersões nas diversas formas de expressão que a arte possibilita, das mais simples às mais sofisticadas. A arte de Bel Borba já freqüentou desfiles de moda, cenários de peças teatrais, passando pelas artes gráficas. Suas intervenções urbanas, com destaque para os mosaicos, que continuam a dar vida aos lugares mais inusitados da cidade, fazem dele o maior interventor urbano de Salvador.

Exposição SAVEIRO ENTRE ELES SAVEIRO, de Bel Borba
Quando: abertura sexta, 19h, no Centro Cultural da  Câmara Municipal
Visitação, de sábado a 2 de março, diariamente, na Praça Municipal

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