Era aniversário de Maria Bethânia, “mas o presente quem ganhou fui eu”, disse um emocionado J.Velloso, na manhã desta quinta-feira, no início da coletiva de lançamento de seu segundo CD, J. Velloso e Os Cavaleiros de Jorge, que sai pela Quitanda, selo da tia Maria Bethânia, na gravadora Biscoito Fino.
Parentesco, aliás, que Bethânia ressaltou, ao fazer deste lançamento um concorrido acontecimento em seu município natal, Santo Amaro, ladeando o sobrinho na mesa que se compôs para a entrevista e posicionando Dona Canô à sua esquerda. Mas, ao proferir as primeiras palavras, a cantora fez questão de esclarecer que puxar J. Velloso para a Quitanda não foi um ato de favorecimento: “Eu, que sou Quitanda, tô aqui apresentando; e minha mãe está reverenciando, protegendo e abençoando”, disse, sendo aplaudida em seguida. Aliás, as palmas pontuaram toda a coletiva, apinhada ela que estava de familiares e amigos do cantor.
“O trabalho de J. é autoral”, seguiu Bethânia. “E é com muita confiança e prazer que a Quitanda reconhece um trabalho como esse em qualquer lugar do Brasil. Esse disco é de responsabilidade total dele e confirmado por mim e Kati (Almeida Braga, sua sócia). O fato de ele ser meu sobrinho não influencia em nada”, sentenciou a cantora. Mais aplausos.
Após esse mea culpa às avessas de Bethânia, que arrematou a primeira de suas muitas falas, J. Velloso assumiu o microfone. Com aquela calma e fala mansa que lhe é peculiar, começou agradecendo a Bethânia, como o fez desde a dedicatória no CD.
“Meu parâmetro musical vem a partir dela, a sua paixão, seu envolvimento, sua dedicação com a música. E eu estou superfeliz de ter sido lançado pelo selo em que estive desde o início”, disse o cantor e compositor, remetendo-se ao disco de Dona Edith do Prato, do qual participou.
A partir daí, começou a falar do CD propriamente dito, que veio à reboque da sua descoberta do prazer de cantar. J. Velloso e os Cavaleiros de Jorge é cria desse seu momento, em que tirou as amarras da voz – seu primeiro show formal foi em Paris, durante o happening Lavagem de St. Madeleine, em Paris, organizada pelo também santo-amarense Robertinho Chaves – e quis compartilhá-la com todos.
Daí, surgiu o projeto da temporada de shows no bar Casa da Mãe, no bairro do Rio Vermelho. E a célula deste CD, que tem uma sonoridade mais pop do que o primeiro, Aboio para um Rinoceronte, estava formada. “Eu sempre compus músicas que pudessem sobreviver no teatro e, na Casa da Mãe, tinha que fazer diferente, cantar para barzinho, com o tira-gosto passando...”, riu o moço. E essa experiência mudou a sua forma de compor.
“Como se tratava de uma verdadeira festa, num bar, comecei a compor canções com uma levada mais acelerada, pra prender a atenção das pessoas“, contou ele antes, em seu material de divulgação. “E o disco foi se criando por si só”, arrematou, na coletiva.
Com os Cavaleiros de Jorge, que são Luciano Bahia, Gustavo Caribé e Dailha Mendes, sob a produção “compartilhada” de Alex Mesquita e mais convidados especiais, como Jorge Vercillo, Jorge Mautner, Virgínia Rodrigues e o maestro italiano Aldo Brizzi – responsável pelo conceito do uso de programação eletrônica no disco, a partir da faixa Ipod –, J. Velloso montou o seu disco mais pop-popular-contemporâneo. “Mostrei a Bethânia o disco pronto e ela adorou. Era a confirmação que eu queria”, suspirou.
Para seguir com a divulgação de seu trabalho, a vontade de J. é fazer um “lançamento itinerante”. E assim será, com previsão de shows no Acre, em Feira e lançamento em Salvador e na Reserva Imbassaí.