O diretor Fernando Guerreiro fez o discurso mais político da cerimônia do Prêmio Braskem de Teatro, quando reclamou que grandes atores baianos estão afastados do palco. “Tem que resolver esta situação, não pode continuar assim. O pessoal que construiu a história do teatro baiano não está atuando. Onde estão estes grandes atores?” questionou.
Em noite de celebração, entretanto, os mais aplaudidos foram a atriz e diretora Hebe Alves (a grande homenageada da noite, aplaudida de pé) e o diretor Luiz Marfuz, que faturou na categoria de direção.
E o espetáculo Policarpo Quaresma, 13ª montagem do Núcleo do TCA, dirigido por Marfuz, faturou o prêmio de melhor espetáculo, o que não foi surpresa.
Rodrigo Frota, o mais emocionado da noite, venceu na categoria revelação pela cenografia de Policarpo Quaresma, Atire a Primeira Pedra, Álbum de Família e Salomé. Já Fábio Espírito Santo levou o prêmio na categoria especial pela iluminação dos espetáculos O Olhar Inventa o Mundo, Batata e Casa Número Nada.
Na categoria texto, venceu Dinah Pereira por Memória Ferida e na de ator coadjuvante, Armindo Bião pela atuação em O Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru.
O ator Urias Liama desbancou Frank Menezes, Ely Izidro e Hilton Cobra, levando o prêmio de melhor ator pela peça Um Caso de Língua. Já a atriz Elaine Cardim venceu como atriz coadjuvante pelo espetáculo Policarpo Quaresma. Também Claudia de Moura levou o prêmio de melhor atriz pela atuação nesta montagem. Na categoria infanto-juvenil venceu Os Prequetéis.
O ator Hilton Cobra encarnou o espírito de Policarpo Quaresma e fez uma performance, reclamando da televisão brasileira, “que massificou a mediocridade, tirando da população o espírito crítico”. Cobrinha, como é mais conhecido, também conclamou os negros e negras “para esquecer os tambores”. A cerimônia teve a bela participação da Orquestra Sinfônica Juvenil da Bahia Dois de Julho (OSDJ), dirigida pelo maestro Eduardo Torres.