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24/03/2009 às 12:29
 

Um canto para as águas

Claudia Lessa, do A Tarde

Marcos Issa/Argos
Jussara Silveira volta a Salvador e se apresenta nesta quinta, 26, com Matita Perê, no TCA
Jussara Silveira volta a Salvador e se apresenta nesta quinta, 26, com Matita Perê, no TCA

Jussara Silveira comentou, certa vez, que um amigo seu considera "fazer caber a vida na música o mais puro amor que se pode experimentar". Nesse complexo existencial, inclui-se a água, comemorada mundialmente a cada 23 de março. No universo macro das canções, a cantora foi chamada para apresentar o show O amor e o mar, numa  homenagem a esse ameaçado bem natural. O palco será o do Teatro Castro Alves, na próxima quinta-feira, dia 26, às 21 horas.
 
Como o show tem cunho beneficente, numa promoção do Governo do Estado, através da Embasa, os ingressos deverão ser trocados por kits de higiene pessoal (sabonete, xampu e creme dental), a serem destinados às obras das Voluntárias Sociais.
A abertura ficará sob a responsabilidade do Matita Perê, especialista em tocar canções de pura sofisticação harmônica e melódica. Borega e Luciano Aguiar, líderes do grupo baiano, são os autores de Canção da Água, trilha do novo comercial da Embasa, que foi ao ar no último domingo, pelo Dia Internacional da Água. O jingle, gravado em ritmo de ijexá por Jussara, será mostrado no palco pelos músicos e cantora.

Para todos - A estrela da noite volta a Salvador depois de um ano e três meses, quando apresentou o show O amor e o mar, no Pelourinho. “Foi uma apresentação a céu aberto, muito bacana. Agora, venho novamente para o TCA por conta de um projeto que beneficia a população que não vai ao teatro por falta de condições de pagar ingresso“, enaltece Jussara.

Cantar na Bahia, terra do coração dessa mineira-baiana, em especial do Teatro Castro Alves, onde ela estreou em 1989, tem, invariavelmente, um gosto especial. “Fazer show em Salvador é sempre uma emoção a mais: pela cidade, pelo público, que é o maior que eu tenho, pelos amigos, pelos compositores.“

Subir em palco baiano costumam acontecer ainda emoções familiares, como a participação de sua irmã Christine Silveira. Com ela, Jussara dividirá a canção A gangorra de dois (Péri/Ariston), que integra o seu último CD.

Mar interior - Se música é alimento da alma e água, seiva do nosso planeta, não é difícil imaginar que o espetáculo será um misto de beleza cancioneira e exercício de cidadania.

Não se trata de um trabalho que fale diretamente sobre a água, mas traz à tona um mar interior, que tem a ver também com consciência que cada um deve ter sobre a vida do planeta. "Não é de hoje que me preocupo com a falta que a água vai fazer. E agora, que a escassez vem sendo alarmada, é muito positivo que seja comemorado o Dia da Água. Mas não podemos perder de vista que o exercício de cidadania de economizar água, de não produzir lixo para não afetar rios e mares tem que ser diário",  pontuou Jussara.

Temas inesgotáveis - O espetáculo, que terá uma hora de duração, se resolverá em 16 canções. “São músicas que falam do amor e do mar, dois temas cantados em todos os tempos e que continuarão inesgotáveis“.

Com sua voz delicada e afinada, Jussara Silveira ressaltou que fará uma homenagem a Dorival Caymmi, compositor baiano que tanto cantou o mar. O primeiro sucesso de sua carreira, Dama do Cassino (Caetano Veloso) e Orientação (Tuzé de Abreu), registrada no seu primeiro disco (Jussara Silveira, 1996), também estão no roteiro.

Jussara será acompanhada pelo quarteto formado pelo violonista Luiz Brasil (também produtor musical do álbum Entre o Amor e o Mar), a percussionista Thamyma Brasil, o tecladista Kiko Continentino e o baixista Sérgio Brandão.

É provável que, ainda este ano, a cantora lance novo disco, cujo tema está ligado às escolhas. Algo que tem tudo a ver com a trajetória de uma artista que não faz concessões na sua música. ”O que eu canto faz parte da minha história, do que escutei, dos caminhos que tracei, dos encontros musicais que tive, do ensinamento de Caymmi”, justifica Jussara, dona de um estilo batizado de cool.

Matita Perê - O grupo baiano aproveita o aniversário de dez anos para, no palco do TCA, mostrar novos arranjos no repertório refinado que passa pela hamonia das canções mineiras (De Itajubá e Subida a Montanha (ambas de Luciano Aguiar) e pelas melodias nordestinas (Baião Bachiado, de Borega) e Rosiana (Luciano Aguiar/Borega). Para unir esses dois universos, entra o baião Triângulo(L. Aguiar).

A influência jobiniana aparece em Lígia e Águas de março, em arranjo original de Borega. Esta última, pertinente ao mote da noite. Assim como Jussara, o Matita fará uma reverência ao mestre Dorival, com um arranjo para Só Louco.

”Preparamos um repertório que, de certa forma, retrata uma década do Matita”, afirma Borega, ressaltando o prazer de receber como convidado o guitarrista Budi Garcia, que fará a direção musical do primeiro CD do grupo, a ser lançado este ano.
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