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Apesar de fumantes e não-fumantes, normalmente, estarem de lado opostos quando o assunto é o cigarro, uma pesquisa do Datafolha realizada em todo o País mostra que em uma questão há consenso: a opinião sobre o fim dos fumódromos.
No estudo, realizado em março de 2008 a pedido da Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), 88% da população brasileira mostrou-se favorável aos ambientes livres de fumo e, entre os próprios fumantes, a aprovação é de 80%.
Foram entrevistadas 1.992 pessoas acima de 18 anos, sendo 77% não-fumantes e 23% fumantes, em 120 municípios de todo o País. A rejeição ao fumo é mais forte em restaurantes (89%) e lanchonetes (86%). Casas noturnas e bares apresentam um pouco mais de tolerância que os dois primeiros (72% e 71%, respectivamente), mas mesmo assim o índice é alto.
A pesquisa Datafolha também perguntou sobre a mudança na Lei 9.294/96, que propõe a proibição total do fumo em ambientes fechados: dois terços (68%) são favoráveis ao projeto de lei que modifica a legislação.O PL já foi entregue pelo Ministério da Saúde e aguarda encaminhamento da Casa Civil para o Congresso Nacional.
FUMO PASSIVO – De acordo com a coordenadora da ACT no Nordeste, a jornalista Daniela Guedes, em estabelecimentos de entretenimento, como bares e boates, a separação não é respeitada. “Nesses ambientes, a interação entre as pessoas é muito grande e o fumo passivo é inevitável”.
O fumo passivo é a terceira maior causa de morte evitável no mundo, subseqüente ao tabagismo e ao consumo excessivo de álcool. O fumante que absorve a fumaça do outro, tem risco 23% maior de desenvolver doença cardiovascular, 30% mais chances de ter câncer de pulmão, 24% a mais de chance de infarto do miocárdio e maior risco de arteriosclerose.
Segundo Daniela Guedes, a utilização de equipamentos como ventiladores e exaustores, muito comuns em estabelecimentos comerciais, não eliminam os diversos componentes tóxicos da poluição tabagística ambiental (PTA).
A jornalista chama atenção também para o risco da fumaça de cigarro em trabalhadores. “A poluição tabagística prejudica drasticamente a qualidade de vida de todas as pessoas expostas, principalmente aquelas que trabalham nos estabelecimentos onde é permitido fumar. Há uma grande preocupação também com a saúde ocupacional do trabalhador”, afirma.