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21/05/2008 às 21:41
  | ATUALIZADA EM: 21/05/2008 às 22:22 | COMENTÁRIOS (4)

HPV: nova vacina não reduz importância da prevenção

Carolina Mendonça, do A TARDE On Line

Haroldo Abrantes/Agência A Tarde/Arquivo
Duarte: "Contaminação atinge 75% das mulheres sexualmente ativas"
Duarte: "Contaminação atinge 75% das mulheres sexualmente ativas"
As mulheres contam desde a última terça-feira, 20, com mais uma arma para a prevenção do câncer do colo do útero. Uma segunda vacina de prevenção ao câncer do colo do útero teve o valor de comercialização aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O medicamento Cervarix, do laboratório GlaxoSmithKline, chega ao mercado brasileiro com preço menor do que o da concorrente Gardasil, da Merck. No entanto, em qualquer um dos casos, o tratamento é para poucos. As três doses necessárias para garantir a imunização com as drogas devem custar no total a partir de R$ 649,55 sem impostos. Como o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não prevê a distribuição das doses pela rede pública, o conselho dos especialistas é mesmo investir na prevenção contra o papilomavírus humanos (HPV), causador de quase 100% dos casos da doença.

Segundo a publicação “Estimativa 2008: Incidência de Câncer no Brasil”, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a previsão é que neste ano, o Brasil deve registrar mais de 18 mil casos de câncer de colo do útero. Só na Bahia, estima-se que serão 970 casos e em Salvador, 300. Para estas mulheres, no entanto, a vacina não tem utilidade, já que esta só tem efeito preventivo, se destina a quem ainda não contraiu o vírus.

Para a diretora do Centro de Referência Estadual de Aids (Creaids), Cristina Camargo, o caminho para reduzir a incidência da doença é investir na conscientização e na ações preventivas, principalmente alertando para a importância do uso do preservativo durante o ato sexual. “Muitas mulheres ainda não têm acesso à informação e a um bom sistema de saúde pública no nosso país, o que faz com que a incidência da doença seja alta. Os números seriam reduzidos se todas fizessem exames preventivos anualmente”, afirma.

Fácil contágio - Apesar de ser considerada uma Doença Sexualmente Transmitida (DST), não há necessidade de penetração durante o ato sexual para que a mulher se contamine com o HPV. O vírus é transmitido no contato com a pele. “Estima-se que ao longo de uma vida sexualmente ativa, a chance de uma mulher contrair o vírus é de 75%”, explica o pesquisador e doutor em epidemiologia Edson Duarte Moreira.

O número assusta, mas o médico esclarece que apenas 10% das pessoas infectadas com o HPV chegam efetivamente a desenvolver doenças mais graves. Além do câncer, que atinge uma pequena parcela da população contaminada, uma parte desenvolve verrugas ou feridas na parte externa dos órgãos sexuais, também identificadas por meio do exames preventivo papanicolau, em que é feita uma análise visual e citológica (das células) da vagina e do útero.

“Tive um choque quando a ginecologista falou que eu estava com uma pequena verruga na vagina provocada pelo HPV. Precisei fazer uma cauterização no local e doeu um pouco. Agora sei que preciso voltar todo ano pra ver se outras não aparecem”, relata a estudante Bárbara*, de 24 anos.

Futuro - Na opinião de Edson Moreira e Cristina Camargo, o ideal seria realmente a inclusão das vacinas em campanhas públicas de imunização. Dessa forma, seria possível diminuir a incidência de contaminação por HPV nas futuras gerações de mulheres sexualmente ativas.

No entanto, ambos reconhecem que não há perspectiva disso acontecer a médio prazo. De acordo com a assessoria de comunicação do Inca, estas medicações são caras e, para que sejam integradas ao Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, precisariam passar por uma série de estudos sobre qual a variação do vírus mais prevalente no Brasil, a versão a ser utilizada e a faixa etária ideal para ser imunizada. Não há prazo para realização desses levantamentos no país.

As vacinas disponíveis no mercado funcionam contra quatro dos 15 tipos de HPV existentes, garantindo a prevenção por seis anos contra as variações que provocam 70% dos casos de doenças relacionadas ao vírus.

*O nome foi trocado para preservar a identidade da fonte.

Saiba mais:

O que é a vacina contra o HPV?

As vacinas estimulam a produção de anticorpos específicos para cada subtipo de HPV. No Brasil, as duas versões disponíveis no mercado são quadrivalentes, ou seja, previnem contra os tipos 6 e 11 do vírus, presentes em 90% dos casos de verrugas genitais, e também contra os tipos 16 e 18, que causam 70% dos casos de câncer do colo do útero, pelos estudos feitos nos Estados Unidos e na Europa.

Como é feito o exame preventivo?
O exame colo do útero (Papanicolau) consiste na coleta de material citológico (células) do colo do útero. A amostra segue para ser analisada em laboratório. A mulher não deve fazer o exame quando estiver menstruada, pois o sangue pode atrapalhar os resultados. É aconselhável evitar relações sexuais, uso de duchas ou medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores ao exame.

Quem e quando fazer o exame preventivo
Toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo uma vez por ano, especialmente se estiver na faixa etária dos 25 aos 59 anos de idade.
Todos os tipos de papilomavírus podem se transformar em um tumor maligno?
Não. Os tipos mais comumente associados às verrugas (6 e 11), na sua grande maioria, não são os mesmos encontrados nos tumores malignos.
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