O baixista da banda Jammil e Uma Noites, Manno Góes publicou uma postagem na última terça-feira, 22, em seu blog, endereçada a uma determinada categoria de fãs estabelecida por ele como aqueles fãs que ficam nas portas dos hotéis para obter autógrafos, fotos e ingressos para shows de Ivete Sangalo, KLB, Cláudia Leitte, entre outros artistas citados. A polêmica, entretanto, veio com os adjetivos atribuídos por Góes a estes fãs. No post, o músico os chama de “vermes”, “falsos”, “viadinhos”, entre outros.
Este último adjetivo provocou reação do Grupo Gay da Bahia (GGB). O presidente do GGB, Marcelo Cerqueira explica que a palavra “viadinho” é pejorativa e utilizada no texto com sentido de ofensa. “Ele usa a palavra como se fosse uma faca, um revólver, um carro para matar, no sentido de ofender”, diz Cerqueira.
Segundo o presidente, o GGB vai entrar com uma denúncia de homofobia no Ministério Público (MP). Para ele, o uso de palavras preconceituosas por pessoas reconhecidamente públicas pode estimular o preconceito. “Não houve responsabilidade social por parte dele. Com esta ação, os gays se sentem discriminados e, pior, estimula uma situação de preconceito e raiva contra o homossexual”, afirma.
Entretanto, Cerqueira diz que a denúncia pode não ser feita caso o músico peça desculpas publicamente sobre este “comentário homofóbico”. “Reconhecer o erro é mais educado e simpático, é um procedimento que mostra que ele mudou ou quer mudar”, diz Cerqueira. “Nós lutamos para construir uma sociedade civilizada e os artistas deviam colaborar com isto”, emenda.
O post, intitulado “Pra quem gosta de quadrinhos e textos longos…”, atingiu a expressiva marca de 362 comentários, número recorde não visto em nenhum dos outros posts disponíveis. A polêmica gerada com o post fez com que Góes postasse um outro texto dois dias depois. Este, “Pra quem odiou o post anterior…”, é de esclarecimento de alguns pontos, diz o músico.
Segundo ele, neste último post, os textos publicados no blog têm um teor bem-humorado, debochado e escrachado. Góes ainda diz que não quis ofender outros, além dos fãs que ocupam a tal categoria estabelecida e que viveram uma situação específica com o músico.
Mas, para Cerqueira, o músico errou em brincar com estas questões. “Ele não pode brincar porque questões como estas são muito caras para nós. Ele coloca o dedo na nossa ferida”, conclui.
Manno Góes foi procurado pela reportagem até a publicação desta matéria. Segundo sua assessoria de imprensa, o músico está viajando a trabalho e impossibilitado de se comunicar. A assessoria não soube responder pelo assunto.