Atarde Online

publicidade


CIDADES


todas as notícias de CIDADES
10/04/2008 às 22:50
  | ATUALIZADA EM: 11/04/2008 às 00:23 | COMENTÁRIO (0)

Músico francês precisa de ajuda

Zezão Castro, do A TARDE

Thiago Fernandes | Divulgação
Vida com muito sexo, drogas e rock'n'roll
Vida com muito sexo, drogas e rock'n'roll

O cantor de soul e blues Jean Mitchell, 59 anos, radicado em Salvador e por aqui conhecido como a maior atração do gênero na cena, está pedindo uma força aos fãs. Encontrado por uma ambulância da Samu desacordado no Centro Histórico, o músico atualmente é um sem-teto e se recupera de um problema respiratório e de desidratação no Hospital Santo Antônio (Irmã Dulce). Depois de morar por algum tempo em quartos alugados, ele passou a dormir em galpões de boates e, finalmente, sob marquises de igrejas centenárias, onde foi encontrado.

Convalescente, ele diz que “a única forma de conseguir renda para me sustentar quando eu sair daqui seria fazer cópias do CD que tenho para que possa vender na ruas”. Batizado Jean Eugène Mouchére e nascido na França do general De Gaulle, sua estrada é um labirinto em que a trindade sexo, drogas e rock’n’roll foi uma constante, temperada com estadas em reformatórios, sarjetas, dentre suas provações.
 
Pode se dizer que nasceu com a tristeza do blues incrustada na pele. Na escola, tomava surras dos colegas porque era confundido com um argelino, e a ex-colônia àquele tempo estava em litígio com a França. Não adiantava explicar que sua mãe, mestiça de branco com negro, era filha de um homem da Martinica, no Caribe, e não do País africano.

Presley – Com 12 anos, algo de novo e revolucionário aconteceria: um amigo chegou em sua casa com um compacto de Eddie Cochran, contemporâneo de Elvis Presley, e as músicas foram executadas à exaustão no modesto apartamento. Por volta dos 16 anos, Jean era o próprio rebelde sem causa: odiava a escola,  já não morava mais em casa e perambulava de marquise em marquise, apaixonando-se cada dia mais pela música de Ray Charles, Little Richard e Chuck Berry.

Daí para a criação da Wimbles, sua primeira banda de rock, foi um pulo. Ali, no palco, o mundo se virava para ele, quando aquele magrelo esbanjava uma vocalise que lembrava Rod Stewart no timbre e Ray Charles no poderio.

Ao lembrar de suas histórias, o bluesman, envolto na camisola da Osid, aperta os olhos, ri. Dá uma tossida (a voz ainda fraqueja)  e manifesta sua intenção de cair fora dali. Uma funcionária de lá ouve seus casos, ri com ele e aconselha um pouco mais de hidratação (faz poucos dias que ele pôde se sentar e quase não lhe acham veias para o soro).
    
De boca em boca, ainda na Paris dos anos 60, os Wimbles participaram de um concurso com seis bandas e ganharam. O prêmio não poderia ter sido melhor: abrir a noite para o lendário Chuck Berry e tocar, remunerado, em todas as bases americanas sediadas na França desde o fim da
II Guerra Mundial. Um belo dia, sem emprego, passou a traficar maconha,  até que a polícia o deteve com um quilo da erva.

“Minha sogra estava no apartamento”, relembra. Já na delegacia, o oficial lhe pergunta quem eram as pessoas com quem ele usava drogas. “Mick Jagger (soletrou), Keith Richards, Jimi Hendrix , Janis Joplin...”, respondeu . O policial   perguntou onde eles viviam. “Uma parte nos EUA, a outra na Inglaterra”, respondeu. As autoridades prometeram investigar...  

Nos anos 70, a música brasileira se insinuou na vida do artista. Achou que todo mundo aqui vivia no bim-bom bossanovista. Quando desembarcou, não entendeu nada: Novos Baianos, Caetano e Gil eletrificados. “Era só tropicália”, relembra. Morou no Rio de Janeiro, interior da Bahia e, por problema de documentação, chegou a ser deportado. Voltou com mais dinheiro e uma mulher que depois largou. Após a semi-indigência nos bares da vida, encontrou verdadeiros companheiros em 1990 na Cantina da Lua, no Pelourinho. Na guitarra, estava o suíço Gini Zambelli, e no baixo, o venezuelano  Keko Villaroel. Mal pôde acreditar nos acordes e riffs ouvidos. Deu canja e ficou. Gini, atualmente, é quem acerta os shows e  prensa os CDs de Jean. Maiores contatos podem ser feitos pelo telefone 71-8133-2689.

    AVALIAÇÃO: Ruim Média Boa 0 voto
  • Imprimir Imprimir
  • Enviar Enviar
  • twitter  del.icio.us  digg  technorati  yahoo meneame wikio sonico
  • Fale com a redação Fale com a redação

COMENTE ESSA MATÉRIA  0 comentário

Seu Comentário:

nome:
e-mail:
mensagem:

toques


Rua Prof. Milton Cayres de Brito nº 204 - Caminho das Árvores - Salvador/BA, CEP-41820570. Tel.: 71 3340-8500 - Redação: 71 3340-8800
Copyright © 1997 - 2010 Grupo A TARDE Todos os direitos reservados.