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“Aqui temos uma mistura de estilos e momentos históricos magnífica: casarões coloniais portugueses convivem com edifícios neoclássicos e exemplos da arquitetura moderna”. A afirmação é do professor de história Ricardo Carvalho e traduz o que representa o Comércio para o acervo cultural e arquitetônico de Salvador.
O professor explica que essa mistura é fruto dos três momentos pelos quais o bairro passou ao longo do tempo: a atividade portuária, a atividade comercial e o auge do setor de serviços. "Salvador foi um porto fundamental para a história do comércio mundial, aqui paravam todos os navios que trafegavam entre a Europa e a América do Sul, e por aqui era escoada praticamente toda a produção de cana-de-açúcar do Brasil até o século XIX".
A atividade comercial foi estabelecida na região a partir das décadas de 30 e 40, fruto do desenvolvimento vivido pelo Estado. "O desenvolvimentismo empurrou este setor na capital, e foi então que o bairro viveu seu auge". A partir da década de 70, no entanto, com a transformação de Salvador em uma metrópole e a migração do centro financeiro para a região do Iguatemi, a região do comércio entrou em decadência.
Para o professor, no entanto, o potencial turístico de Salvador e a proximidade do porto podem trazer ao local a desejada revitalização. "Se o porto de Salvador for transformado em um terminal de chegada de transatlânticos, o comércio viverá novamente bons momentos".
Carvalho enfatiza que não basta transformar a região em uma vitrine turística: "É preciso dar vida para a região, e isso só é possível atraindo investimentos".