>> Polícia Civil oficializa greve
Os policiais militares podem aderir à greve dos colegas civis na próxima segunda-feira, quando as entidades representativas da corporação realizarão uma assembléia conjunta na Associação dos Subtenentes e Sargentos, às 15 horas, para discutir a crise na Segurança Pública. Pela manhã, sindicalistas se reúnem com o comandante da PM, coronel Jorge Santana, para discutir a situação.
Se não optarem pela paralisação, os PMs devem definir por um tipo de ação para manifestar a insatisfação, desde um “panelaço”, com a participação das esposas dos militares, a uma “operação-padrão”, ou “tolerância-zero”: os presos em flagrante seriam levados para o plantão central da polícia, o que iria atulhar o local de detidos.
Deverão participar da assembléia representantes da Associação dos Praças da Polícia Militar - APPM (com cerca de sete mil associados), a Força Invicta dos oficiais (três mil integrantes), a Aspol - Associação dos Policiais da Bahia (2.150) e Associação dos Subtenentes e Sargentos (quatro mil associados), todas da capital. Além dessas, as oito associações de PMs do interior - que representam cerca de oito mil integrantes da corporação - ficaram de mandar diretores para o evento. O presidente da APPM, soldado Agnaldo Pinto confirmou que a mobilização dos praças está mantida diante da “irredutibilidade do governo”.
Não havia uma disposição inicial de aderir à greve dos policiais civis, mas quando os militares começaram a examinar a mensagem de aumento do governo encaminhada para a Assembléia Legislativa, identificaram várias “distorções” que interpretam como prejuízo aos seus vencimentos. “Pelos nossos cálculos, os soldados vão ter apenas R$ 2 de aumento” disse o sargento José Dias, presidente da Aspol e um dos principais aliados de Jaques Wagner na campanha pelo governo do Estado em 2006. Dias apareceu no programa político de Wagner para reclamar da repressão dos governos do PFL e exibir um contra-cheque de um soldado para tentar provar que o PM baiano recebia um dos menores salários de todo o Brasil.
Conforme Dias, houve redução na Gratificação de Atividade Policial, a GAP - que constitui a maior parte do vencimento - para aumentar o salário-base. “A GAP de um soldado é de R$ 1.103,00 e o salário-base R$ 380; na mensagem de aumento, o Estado tirou R$ 20 da GAP e passou para o salário-base que chegou a R$ 400 e sobre esse valor aplicou o aumento de 4,46% resultando em R$ 415”, explicou. “Com essa modificação, a GAP passou para R$ 1.083,00 e, pela mensagem de aumento, não será mais reajustada daqui para frente. Ou seja: nos próximos anos a GAP vai ser desvalorizada. Isso não podemos aceitar, deixou os integrantes da PM super-insatisfeitos”.
Dias e o diretor do Sindicato dos Policiais Civis Crispiniano Daltro são duas lideranças que “comeram sal e tomaram sol” como o governador Wagner caracteriza os antigos companheiros que penaram na oposição nos governos pefelistas. O sargento admite que os colegas “já estão desacreditando no novo governo que prometeu valorizar o salário do servidor público e isso não está ocorrendo”. Veterano da greve de 2001, Dias vê semelhanças agora com o cenário do movimento passado. “Insistíamos em negociar com o governo César Borges e encontrávamos a porta fechada, o que está se repetindo”, disse. Por essa razão ele considera “imprevisível” o resultado da assembléia de segunda-feira.
O comando da PM informou através da assessoria de comunicação da Corporação que só vai se pronunciar após a realização da assembléia, mas lembra que greve na polícia militar é proibida por lei.