Intolerância religiosa e especulação imobiliária. Estes são os motivos alegados pela sacerdotisa de candomblé, Rosalice do Amor Divino, a Mãe Rosa, 50 anos, depois que ela viu cerca de 35 homens da prefeitura e da Polícia Militar partindo para tentar demolir o seu terreiro, na manhã desta sexta-feira, 22.
Erguido na Avenida Jorge Amado, trecho do Imbuí, há 28 anos, o templo da nação angola chama-se Oyá Onipó Neto e está situado em uma área ao lado de um shopping e de novos empreendimentos imobiliários. É o único dedicado, no bairro ao culto dos inquices, (nome das divindades nos candomblés angolanos). “Inclusive vem muita gente do Imbuí trabalhar sua espiritualidade”, alfineta Mãe Rosa.
Segundo ela, a ação começou no início da manhã, sem nenhuma notificação prévia. “Sem avisar, cerca de 35 homens da Superintendência Controle e Ordenamento do Uso do Solo (Sucom) e da Polícia Militar queriam derrubar minha casa, com um bocado de papel numa pasta mas não me mostraram nenhuma ordem judicial para isso”. Os caminhões, carretas e viaturas ficaram cerca de meia hora parados até que, de repente, retrocederam do intuito. “Liguei pra meu marido, que foi na Sucom e aí eles pararam e foram embora”, contou.
Apesar de haver um processo administrativo tramitando há 11 anos na Prefeitura para regularizar a situação do imóvel, Mãe Rosa crê que o problema foi mesmo de intolerância religiosa. Ela conta que comprou o terreno há 28 anos e tem o documento de posse da terra.
Desde a aquisição, entretanto, um vizinho, segundo ela um engenheiro da Sucom de nome Sílvio Roberto Ferreira Bastos, demonstra atitudes de desrespeito religioso e preconceito. “Uma vez ele me chamou de lixo, já cuspiu e procurava brigas, mas só discutimos uma vez”, relatou Mãe Rosa, no início da tarde, ainda nervosa com o susto.
Sem resposta - A Sucom foi procurada pela reportagem para repercutir as acusações do seu engenheiro e para que revelasse se havia ou não algum mandado judicial para respaldar seus atos. Na portaria do órgão, a reportagem foi informada que a superintendente Kátia Carmelo estava viajando. O celular da assessora estava na caixa. Nem a secretaria de comunicação da prefeitura conseguiu localizar a direção do órgão.