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22/11/2007 às 17:35
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Campanha alerta para o câncer de pulmão

Clarissa Borges, do A Tarde On Line

A distribuição e plantação de mudas no Jardim de Alah, em Salvador, foi a ação escolhida para chamar a atenção da população para o câncer de pulmão, tipo mais comum e mais letal da doença em todo o mundo. A campanha Consciência Viva, promovida pela Associação Brasileira de Câncer (ABCâncer), incluiu ainda distribuição de material informativo sobre a doença e consulta gratuita a especialistas que ficaram de plantão para prestar esclarecimento das 6h Às 16h.

Informado sobre a campanha pelo Jornal A TARDE, o aposentado Oscar Cardoso, 69, dirigiu-se ao local para tirar uma dúvida: queria saber se os 30 anos de tabagismo, vício que abandonou há 20 anos, ainda o colocam no grupo de risco da doença, já que 80% dos casos diagnosticados estão entre fumantes, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo o médico do Núcleo de Oncologia da Bahia, Almiro Queiroz, os malefícios do cigarro podem perdurar no organismo por até 10 anos, mas a melhor forma de desfazer a dúvida é fazer uma avaliação médica.
 
Realizada simultaneamente em mais cinco capitais - Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo – a campanha Consciência Viva distribuiu 2.700 mil mudas de plantas, simbolizando 10% do número de casos diagnosticados no Brasil em 2006: 27 mil. Em todo o planeta, cerca de 1,3 milhão de casos são identificados por ano. Destes, 1,1 milhão de casos resultam em morte. A Bahia é um dos estados com menor incidência: teve 790 novos casos em 2006, dos quais 300 foram diagnosticados na capital. Em São Paulo, o número chegou a 7.590, e no Rio Grande Do Sul, a 4.070.

Diagnóstico - Segundo o médico, a letalidade da doença se deve à demora dos pacientes para procurar um médico. A idade média de diagnóstico é de 68 anos para homens e 66 para mulheres. “Os sintomas são silenciosos, geralmente são os mesmos que os fumantes já têm, como tosse e cansaço”, explica. O médico alerta que fumantes com mais de 40 anos devem consultar o médico com freqüência e submeter-se a um raio x do tórax pelo menos duas vezes por ano, maneira mais fácil de diagnóstico.

Os principais sintomas da doença são tosse e rouquidão persistentes, dores no peito e nas costas, respiração curta, fadiga, excreção de sangue, inchaço no pescoço e na face, perda de apetite e de peso, redução da capacidade física e crises freqüentes de bronquite e pneumonia. Além do fumo, o câncer pode estar ligado a outras causas, como exposição a arbestos (minerais usados em algumas indústrias) ou gás radônio, poluição e outras doenças pulmonares.

Os especialistas fazem questão de lembrar que fumantes passivos (aqueles que convivem com fumantes) também estão expostos ao risco. Por isso, o abandono do vício e o aumento da qualidade de vida são as medidas mais eficazes de prevenção à doença. Quem já teve o câncer de pulmão uma vez também tem maior chance de desenvolver um segundo tumor. 

Apesar de, no passado, ter sido uma doença que praticamente só afetava homens, o câncer de pulmão é cada vez mais freqüente entre as mulheres. A voluntária da ABCâncer, Líliane Jacob, chama a atenção para um dado. No Brasil, onde a incidência da doença tem diminuído, aumentou em 0,2% entre as mulheres, em comparação com os homens afetados. “A doença diminui porque há uma diminuição do fumo, graças à conscientização da população, mas também há um crescimento da incidência no sexo feminino”, lembra.

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