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18/11/2006 às 19:29
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Passarela do Iguatemi não comporta volume de pedestres

Nelson Luís

A passarela que liga o Shopping Iguatemi – um dos maiores centros comerciais de Salvador -, a dois grandes terminais urbanos - a Estação de Transbordo do Iguatemi e a Estação Rodoviária -, está saturada e não comporta mais o volume de pessoas que utilizam a travessia diariamente.



Em outubro do ano passado, a reportagem do A Tarde On Line mostrou que a passarela do Iguatemi não tinha mais condições de comportar o fluxo diário intenso, especialmente em horários de pico. Na época, houve um engarrafamento humano em toda a extensão da passarela. Foram cenas de pânico, com ameaça de gente despencar lá de cima.



Um ano se passou e nada foi feito para melhorar a situação, que está bem pior, segundo os usuários. A Estação de Transbordo, onde era proibido ter comércio informal, mais parece um mercado persa, devido a grande quantidade de vendedores ambulantes disputando o espaço com os passageiros das linhas de ônibus que trafegam no local.



No ano passado, a Prefeitura ficou de tomar providências para disciplinar o fluxo, antes que ocorresse um acidente, mas medidas como a duplicação da passarela e a construção de uma nova, ligando a estação rodoviária ao shopping; ou até mesmo uma rampa ligando a ponte até a praça Nilton Rique, como foi sugerido por especialista, não saíram do papel.



A circulação intensa diária na passarela se deve ao fato dela estar situada em um dos principais pólos de pedestres da cidade, a avenida Antonio Carlos Magalhães (ACM). Estatísticas do próprio shopping center confirmam que o volume de gente transitando na área diariamente é enorme.



Segundo a assessoria do centro comercial, são cerca 100 mil pessoas de segunda à sexta-feira. Nos finais de semana e feriados, essa quantidade aumenta cerca de 20%. Com a chegada do Natal e do Ano Novo, o número de compradores no centro tem um incremento de até 40%, o que equivale a 140 mil pessoas no espaço.



No mês de novembro e dezembro, quando as vendas no comércio esquentam com a chegada do 13º salário, cresce bastante o fluxo de pessoas na passarela. Nesse período, segundo os freqüentadores do local, também é quando ocorre a maior parte dos furtos na região. Além das compras de fim de ano, o movimento nos terminais de transporte e o fluxo gerado pelos cultos da igreja evangélica construída na avenida ACM, contribuem para o drástico aumento do volume de pessoas na área.



Uma pesquisa feita em março do ano passado, desta vez pela Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), para saber a movimentação na região do Iguatemi e estabelecer medidas que facilitassem a circulação naquela área, mostrou que 73.271 pedestres transitam das 7 às 20 horas no local. Já entre 17h45 e 18h45, no espaço de uma hora apenas, circulam pela passarela 7.392 pedestres.



A gerente de projetos da SET, Gisnaia Camargo, destaca que a passarela se tornou obrigatória no local. “Ela se torna mais requisitada devido a grande oferta de serviços naquela área”.



De férias em Salvador, o turista de São Paulo, Alexandre Souza, de 32 anos, acredita que a situação de superlotação na passarela demonstra que a travessia já está no seu limite. Já para a estudante do 1º semestre do curso de Diretio da Unirb, Maria Conceição, 53, a passarela não tem mais condições de atender à população devido ao grande número de pessoas que por ela transita e ao intenso comércio informal.



A obra existe no local há 18 anos. Ela tem a capacidade de suportar até 500 quilos por metro quadrado, com 900 metros de extensão e 2,20 metros de largura. A estrutura é a mesma da época em que foi construída, sendo apenas feita a ampliação até o estacionamento do Shopping Iguatemi.



Alternativas - De acordo com o presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal), Euvaldo Jorge Oliveira, a solução mais eficaz é realizar um trabalho de educação, incentivando a utilização da outra passarela, ao lado do Banco Itaú, próximo ao Centro Empresarial Iguatemi.



Afirmando não conhecer nenhum estudo para resolver o problema, a alternativa para Jorge seria o pedestre andar mais um pouco para fugir do engarrafamento. “O tempo que a pessoa demora em um horário de pico para atravessar, seria compensado na outra passarela, que é pouco utilizada”. Ele destaca ainda que os engarrafamentos humanos, na maioria das vezes, são provocados por vândalos.



Mas o professor de Planejamento Urbano da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Armando Branco, não concorda com a opinião do presidente da Desal. O professor diz que seria um desrespeito com o cidadão exigir que ele mude o seu caminho.



Branco defende que os órgãos públicos precisam conhecer as necessidades da população, em relação aos aspectos do trânsito e fluxo de pedestres. “Acho mais importante uma mudança no fluxo de carros na região do que identificar meios para uma mudança no fluxo de pedestres. É necessário um estudo aprofundado para garantir a circulação do pedestre e o seu conforto”.



A região do Iguatemi ainda continua em expansão, concentrando mais da metade da frota de veículos e de linhas de ônibus da cidade. São dois grandes terminais urbanos, na estação de transbordo Iguatemi e na Rodoviária.



De acordo com o Gerente João Carlos Félix, da Gerência de Projetos da Superitendência de Transportes Públicos (STP), 174 linhas de transporte público circulam na Estação de Transbordo Iguatemi diariamente. “No sentido Bonocô são 244 ônibus/hora com a frota de 490 carros. Já no sentido da Paralela, são 259 veículos/hora com uma frota de 492”, enumera.



Sobra vendedor ambulante - A grande quantidade de vendedores ambulantes que utilizam a passarela para expor seus produtos também é um agravante para a superlotação no espaço. Para o Coordenador de Licenciamento e Fiscalização do Comércio Informal de Salvador, da Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp), coronel José Alberto Passos Guanaes, a presença de ambulantes no interior da passarela acaba prejudicando muito a situação de tráfego de pessoas.



“É proibido eles ficarem parados na passarela, alguns utilizam a travessia para transportar as suas mercadorias, mas eles só podem se instalar no espaço que fica entre a Rodoviária e o início da passarela. A Sesp mantém cerca de 22 a 25 agentes de fiscalização na área do Iguatemi. Só nas passarelas, são 12 homens que tentam coibir a ação dos ambulantes, mas é muito difícil fiscalizar, devido a grande quantidade de vendedores que tumultuam o fluxo”, justifica Guanaes.



Questionado sobre a presença maciça de vendedores ambulantes na área da estação de transbordo, queixa freqüente dos usuários das linhas de ônibus que circulam no local, o coronel Guanaes respondeu que a fiscalização da presença de camelôs no local é de competência da Gerência de Urbanização (Geurb). Apesar das sucessivas tentativas da reportagem, o coordenador do órgão não foi localizado para comentar o assunto.
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