O corregedor-chefe da Polícia Militar (PM), coronel Manoel Francisco Gomes Bastos, transferiu para a Corregedoria Geral a incumbência de conduzir o inquérito militar que apura as circunstâncias da operação que resultou em quatro mortes, no Pero Vaz, e que pode ter matado mais quatro jovens do bairro.
Instaurado na Corregedoria da 37ª CIPM (Liberdade), companhia que realizou a ação, o inquérito militar foi transferido depois de sugestão da promotora de justiça Isabel Adelaide, coordenadora do Grupo de Atuação Especial para o Controle Externo da Atividade Policial (Gacep), do Ministério Público do Estado (MP-BA), que também está apurando o caso.
A promotora falou ao corregedor-chefe e ao comandante-geral da PM, coronel Nilton Régis Mascarenhas, sobre o constrangimento dos familiares das vítimas em prestar depoimento na companhia à qual pertencem os próprios PMs suspeitos. “Pela gravidade, eu sugeri que seria melhor o caso ser apurado pela Corregedoria Geral. Parentes das vítimas poderiam ficar com medo”, afirmou ela. Para presidir o inquérito, foi designado o tenente-coronel PM Miguel Ângelo, do Corpo de Bombeiros.
A partir das 14h de hoje, familiares de todos os mortos e desaparecidos na ação policial deverão ser ouvidos novamente na 2ª CP (Liberdade), responsável pela investigação do caso. A informação foi passada pelo titular da unidade, o delegado Miguel Lapate Cicerelli, que estima concluir em duas semanas os interrogatórios. Sete PMs que admitiram ter participado da alegada troca de tiros já foram identificados e devem ser ouvidos na 2ª CP na última semana de março.
Conforme afirmou Cicerelli, as investigações já partem do pressuposto de que há 90% de chances de o corpo feminino encontrado terça-feira, em Camaçari (Grande Salvador), ser da adolescente Érica dos Santos Calmon, 15, uma das quatro pessoas desaparecidas durante a ação da PM.
“O que liga mais o achado dos corpos ao caso é que uma fatura encontrada ao lado do cadáver achado a 500 metros do da mulher é de Adailton, um dos quatro mortos pela PM em alegada troca de tiros. Ele que alugou a casa onde as mortes aconteceram”, disse o delegado.
Em nota, ontem à noite, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que ainda não foi possível ao Departamento de Polícia Técnica saber se o cadáver encontrado em Camaçari é de Alessandra de Jesus Santos, de 17 anos, ou de Érica dos Santos Calmon, 15, duas das quatro pessoas que teriam desaparecido da casa no Pero Vaz no dia da operação da Polícia Militar.
Mãe - A informação foi contestada por Natalice Fernandes, 34, mãe de Érica. Ela disse que ligaram do Instituto Médico-Legal, adiantando que as digitais do corpo atestaram não se tratar de Alessandra.