Os R$ 2 mil que a secretária Ediene Souza deve ganhar com as parcelas do 13º salário e a restituição do Imposto de Renda já têm destino certo: R$ 800 para comprar uma geladeira nova, R$ 500 para trocar o celular do filho, R$ 400 para os presentes de fim de ano e o restante deve cobrir o limite negativo do cheque especial. Enquanto economistas defendem gastos moderados e um carrinho de Natal sem tantos exageros, o impulso reflete o momento econômico brasileiro e – por que não? – soteropolitano.
Com a chegada das festas de fim de ano, o baiano deve gastar mais em relação ao mesmo período do ano passado. Uma estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), principal entidade do setor comercial da capital, aponta para um acréscimo de 10% nas vendas do varejo, em relação a dezembro do ano passado.
Em 2008, quando se esperava um grande aumento de vendas nas festas de fim de ano – em função de uma alta expressiva no mesmo período ano anterior (2007 sustenta o título de ter obtido “o melhor Natal da década” para o comércio no País) –, a crise arrefeceu os ânimos do setor comercial. Para este ano, com novo cenário, que inclui a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da chamada linha branca, geladeiras, refrigeradores, fogões e máquinas de lavar devem cair nas graças do consumidor.
Mas a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados não é a única responsável pela bonança: “Hoje, o comércio aposta em mais prazo, taxas de juros mais civilizadas para a aquisição de bens duráveis”, explica Antoine Tawil, presidente da CDL. Segundo o dirigente, “para itens de valores menores, muitas redes e pequenas lojas estão, inclusive, bancando esses juros, sem cobrar do consumidor”. Ainda de acordo com o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador, os campeões de venda devem ser, nesta ordem, a linha branca, os eletroeletrônicos, vestuário e calçados.
Computador - O computador portátil de 15 polegadas, vendido a dez prestações sem juros, convenceu o arquiteto Daniel Oliveira a gastar um pouco mais neste Natal.
“A forma de pagamento não pesa no orçamento e permite que eu use a restituição do imposto em outras coisas”, justifica o consumidor. Recém-contratado por um escritório, Oliveira acredita que o mesmo emprego não teria sido possível no ano passado. “As empresas só pensavam em ‘enxugar’; agora é que estão voltando ao normal”, analisa o arquiteto.
Economista e pesquisador do Núcleo de Estudos Conjunturais da Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Osmar Sepúlveda acredita que o aumento no número de empregos decorrente do momento pós-crise – e da própria oferta sazonal em decorrência das festas de fim de ano – tenha impulsionado o varejo.
“A economia está em condições de aquecimento pelo indicador principal que é o emprego: maior massa salarial, maiores condições de consumo. Além disso, temos que considerar o 13º salário e a restituição do Imposto de Renda”, avalia o economista e pesquisador da Ufba.
A pouco mais de um mês do Natal, o setor já comemora. Diretor-executivo da rede de lojas Casas Bahia, Michael Klein explica que a empresa estima um crescimento de 20% nas vendas deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
“A indústria está mais preparada hoje do que estava há alguns meses atrás, uma vez que retomou turnos e a contração de pessoas”, justifica o diretor-executivo.
De acordo com Klein, os computadores, a linha de notebooks e televisores de LCD são os principais responsáveis por este boom econômico em 2009.
Pequenos comerciantes também já sentem que dezembro será um mês mais atrativo, especialmente para artigos de vestuário e moda. Gerente da Petrônius Júnior, loja de calçados localizada na Avenida Sete, Nelson José dos Santos acredita que as vendas devem aumentar de 15% a 20%, em relação ao mesmo período do ano passado. “Pelos meses de outubro e novembro, já é possível percebermos que as vendas serão um pouco melhores”, diz.