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02/07/2009 às 19:10
  | ATUALIZADA EM: 02/07/2009 às 19:11 | COMENTÁRIOS (3)

Lord Cochrane reclamou da frota precária

Biaggio Talento | A TARDE

Quem festeja o Dois de Julho agora 186 anos depois da Guerra da Independência da Bahia, não imagina as dificuldades enfrentadas pelo exército libertador. Uma carta de Lord Cochrane, o almirante inglês enviado por D. Pedro I para empreender o cerco pelo mar à cidade de Salvador, revela algumas das fragilidades dos vencedores. O documento é citado pelo historiador Braz do Amaral (1862-1949) na crônica “1823”, do seu livro Recordações Históricas.

Na carta Cochrane se queixa ao ministro José Bonifácio de Andrada e Silva das condições da frota que comandava, passando a ideia que o governo imperial entregou ao almirante uma espécie de “armada Brancaleone”. Os problemas começavam com a composição da tripulação dos 13 navios, formada por mercenários: 160 ingleses e norte-americanos, 130 ex-escravos e o restante marinheiros portugueses, esses últimos sem qualquer disposição para lutar contra seus patrícios que dominavam Salvador.

O melhor navio da frota, a nau capitânia D. Pedro I, apresentava situação de penúria, descrita pelo almirante na carta, da qual se destaca os seguintes trechos:

“Os cartuchos que temos são incapazes de servir e correm os artilheiros o perigo de perder os braços no trabalho de carregarem as peças. As velas estão todas podres, havendo as aragens ligeiras e frouxas, em nossa vinda para aqui, esfrangalhando um jogo delas, e as outras rasgando-se com a mais leve brisa de vento.  As espoletas para as bombas são feitas de tão miserável composição que não pegam fogo”, descreveu.

Sobre os tripulantes Cochrane diz: “Os soldados da marinha nem sabem o exercício de peça nem de armas curtas, nem de espada, e todavia tem de si tão alta opinião que nem ajudam a lavar o convés, de sorte que, sendo inúteis como soldados de marinha são uma carga aos marinheiros”.

Esse relatório foi feito após a primeira escaramuça entre as frotas brasileira e portuguesa em 4 de maio na Baía de Todos-os-Santos. Braz do Amaral informa que apenas o navio português Princesa Real se dispôs a guerrear, trocando tiros com a nau D. Pedro I.

Ao perceber a superioridade do inimigo, Cochrane bateu em retirada para a região da Ilha de Tinharé. Os portugueses resolveram não perseguir os inimigos. Se o fizessem, Braz do Amaral não tem dúvidas que liquidariam a frota brasileira sem dificuldades, e talvez a data da vitória do 2 de Julho teria que ser adiada.

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COMENTE ESSA MATÉRIA  3 comentários

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Ronaldo (13/07/2009 - 18:02)

Este Pedro Ruy é engraçado: diz que "a vinda do Lorde Cochrane foi importante para a organização das tropas no mar" e, em seguida, diz que "ele era um mercenário". E daí? Isto diminui a sua importância, enquanto O EFETIVO CONSOLIDADOR DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL (porque foi isto o que o Almirante Cochrane foi)?

Pedro Ruy Garcia (04/07/2009 - 08:02)

Esses aspectos so faz enaltecer a vitoria dos baianos, sendo importante ser considerados. Mas o que defeniu a nossa vitoria foi a bravura com que os baianos enfrentaram os portugueses seja em cachoeira, com a tomada da canhoneira,a bravura das mulheres dessas com destaque para Maria Quiteria e a Abadesa Joana Angelica. Devemos da enfase a essas mulheres, bravas e heroicas guerreiras. A vinda do almirante Cochrane foi importante para a organizacao das tropas no mar, mas ele erai um mercenario.

Flori (03/07/2009 - 23:49)

A frota precaria continua até hoje, para benefício daqueles que usofruem das beneses do poder em detrimento do bem estar da nação brasileira. Nossos políticos hoje, não tem interesse com o reaparelhamento das nossas Forças Armadas. Nas tres esferas e muito menos no ambito estadual. Está uma penuria a questão de equipamentos das Polícias estaduais. Só falta dinheiro para o conforto e viagens para os paises estrangeiros. Para a segurarança dos cidadãos estamos a Deus dará.

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