Um vazamento de petróleo refinado em uma das tubulações (canaletas) das unidades 4 e 5 da Refinaria Landulpho Alves, no município de São Francisco do Conde, provocou nesta quinta-feira, às 11h50, incêndio com duração de mais de uma hora, segundo informações de dirigentes sindicais dos trabalhadores da refinaria. Não houve feridos, nem equipamentos foram atingidos.
O fogo alcançou uma extensão de 10 metros, com labaredas de até 20 metros de altura. Não houve explosão. As chamas se propagaram silenciosamente. Devido ao incêndio, foi necessário que funcionários evacuassem um dos prédios administrativos e o refeitório da refinaria. Segundo o diretor do Sindicato dos Ramos Químicos e Petroleiro da Bahia, João Santos, a evacuação foi uma medida de precaução. O mesmo afirmou sobre três ambulâncias presentes na refinaria que foram mobilizadas.
Em comunicado sem detalhes à imprensa, a Petrobras, através da gerência regional nordeste, informou que o fogo foi debelado pelas brigadas da refinaria, sem dizer o tempo gasto e sem informar o que provocou o vazamento. “As causas estão sendo apuradas”, lê-se na nota.
Possíveis causas, no entanto, são apontadas pelo diretor da Associação de Empregados da Petrobras (Aepetro), Wanderley Ferreira da Silva Júnior, que trabalhou na refinaria por 15 anos. “Isso se deve à falta de manutenção da tubulação”, afirmou. O diretor sindical João Santos confirma. “Pode ter sido um desgaste na tubulação”, disse.
Além da suposta falta de manutenção, Ferreira ressaltou que o acidente poderia ter sido evitado se houvesse um controle de vistoria mais efetivo das unidades. Segundo ele, nas unidades 4 e 5 não existem as Casas de Controle Locais (CCL), onde funcionários, sob abrigo à prova de explosão, dão apoio logístico ao Centro Integrado de Controle (CIC), que monitora os equipamentos por meio de computadores. Qualquer problema os funcionários o comunicam ao CIC. “Isso poderia ter evitado (o acidente) porque teria um funcionário próximo que detectaria o acidente com antecedência”, explicou Wanderley Ferreira.
Não é a primeira vez este ano que ocorre vazamento na refinaria, segundo Wanderley Ferreira. Já em relatório de fiscalização elaborado por técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) a pedido da Aepetro, é citado o caso de vazamento de propano na unidade 13 da refinaria, ocorrido em 2007. “Se tivesse havido uma faísca, esqueça refinaria”, comentou Ferreira.
Segundo relatório, a causa do vazamento de 2007 foi o desprendimento da rosca de conexão (chamada de niple), que sofreu processo de corrosão devido à “acentuada presença de água no sistema do propano”. O mesmo documento também traz os fatores do incêndio ocorrido na unidade 6 da refinaria em setembro de 2007. Foram duas horas de combate ao fogo, causado devido à falha em uma bomba.
Manuntenção – Os acidentes, segundo Ferreira, têm relação com a falta de manutenção preventiva, que está na lista das principais causas dos 246 acidentes fatais registrados na Petrobras, por todo o Brasil, em dez anos (1997-2007). Uma média, portanto, de duas mortes por mês. Os outros fatores são precarização do trabalho, fadiga (extrapolação habitual na jornada de trabalho) e políticas inadequadas de Segurança, Saúde e Meio Ambiente.
Na Refinaria Landulpho Alves um vazamento já provocou morte. Em 2000, uma explosão seguida de incêndio matou o operador Nei Luís de Melo, de 40 anos. Na ocasião, ele percebeu um vazamento de gás e foi contar aos colegas. Quando voltou, houve a explosão. Em 2008 já foram registrados na refinaria 100 acidentes de trabalho, de diversas características.